Prefeitura do Recife gastou R$ 74 mil na aquisição das residências. As pessoas que viviam no Cais de Santa Rita ganharam apenas o direito de uso, não podendo vender ou repassar o imóvel
Nove famílias que há quatro anos viviam em barracos improvisados com lonas e papelões no Cais de Santa Rita, no bairro de São José, ganharam ontem um lar de verdade. Elas foram deslocadas para casas em um conjunto residencial compradas pela Prefeitura da Cidade do Recife (PCR), em Chão de Estrelas, na Campina do Barreto. Os moradores ganharam apenas o direito de uso, não podendo vender ou repassar o imóvel. A administração municipal gastou R$ 74 mil na aquisição das residências, mas ainda não tem projetos de beneficiar outras famílias desabrigadas. Essa é a segunda vez que um grupo de pessoas é retirado do local.
A mudança dos poucos pertences das famílias foi feita em caminhões da prefeitura, enquanto as pessoas foram levadas em kombis. “A iniciativa é um resgate da cidadania dessas pessoas, que vão sair daqui e viver com dignidade”, disse o prefeito João Paulo, que participou do momento de retirada das famílias.
Uma das pessoas mais empolgadas com a mudança de endereço era a faxineira Eliane Oliveira, 49 anos, que há 15 anos morava nas ruas. “Tudo que eu pedia a Deus era quatro paredes e um teto para morar com minha filha e neta. Minha casa é do jeito que eu queria, espaçosa e segura. Agora, não me falta mais nada”, garante. A desempregada Maria de Fátima do Nascimento mal conseguia conter a alegria. “Isso aqui não é vida para ninguém. A gente vivia levando chuva e sereno”, conta, enquanto tenta agasalhar da chuva a filha Rafaela, 5 anos, e Rafael, 8.
CRIANÇAS - A secretária de Políticas da Assistência Social da Prefeitura do Recife, Ana Farias, disse que as famílias que estavam morando no Cais de Santa Rita foram escolhidas devido à exposição pública em que viviam e pela quantidade de crianças da pequena comunidade, que se tornaram pedintes nos sinais de trânsito. Segundo ela, essas famílias terão, a partir de agora, um acompanhamento integrado para evitar o regresso para as ruas.
As crianças serão matriculadas em escolas municipais já na próxima semana e terão que continuar assistindo aulas. As famílias vão participar do Bolsa-Escola, que repassa aos pais R$ 15 por criança matriculada, receber visita dos médicos do programa Saúde da Família e ter direito a cursos profissionalizantes e a créditos do Banco do Povo do município.
AINDA SEM CASA – Nem todas as famílias que vivem no Cais de Santa Rita ganharam casas porque, segundo a Prefeitura do Recife, chegaram após o cadastro ou período de acompanhamento do pessoal. Por esse motivo, deverão continuar vivendo na rua.
A desempregada Tânia Oliveira e seus dois filhos pequenos, por exemplo, ficaram apenas olhando a felicidade dos colegas. “Eu estava fora quando vieram cadastrar. Fui passar uma época na casa de uma sobrinha, porque não aguentava mais isso aqui”, lamenta.