O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) publicou, ontem, no Diário Oficial da União, a última relação de áreas desapropriadas da Usina Central Barreiros, na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Ao todo, foram disponibilizados para a reforma agrária 3.030 hectares de cinco imóveis rurais localizados em Barreiros e São José da Coroa Grande. Desde abril, foram desapropriados 13.100 hectares da usina, ocupada, atualmente, por trabalhadores e integrantes de diversos movimentos sociais, como MST, Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) e Movimento dos Trabalhadores (MT).
Essa é a última desapropriação de terras feita pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na Usina Central Barreiros. Estão na lista de áreas beneficiadas os Engenhos Passagem Velha, com 580 hectares, Serra d’Água, com 419, Tentugal, com 1.043, Manguinhos, com 511, e Gravatá, com 476.
No dia 26 de abril, já haviam sido disponibilizados pelo Incra para a reforma agrária 4.936 hectares dos Engenhos Piaba de Baixo, Mascate, Una, Serra, Ilheta e Baeté. Em maio, entraram na lista de desapropriações os Engenhos Buenos Aires, Tibiri, Linda Flor, Boca da Mata, Araçu/Mundo Novo, Campinas, Sítio Novo, Pau Ferro e Jindaí, totalizando 5.185 hectares.
ESTRATÉGIAS – Na próxima quarta-feira, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) realizará um grande movimento no campo para pressionar os Governos Federal e do Estado a acelerar o processo de reforma agrária. Incluído no Programa de Ações do Dia Nacional de Ocupações, o projeto da entidade prevê invasões em 50 propriedades improdutivas nas Zonas da Mata Sul e Norte, Agreste e Sertão do Estado.
O plano inicial da Fetape é ocupar, pelo menos, uma área em cada um dos 30 municípios incluídos no roteiro de invasões. Em alguns lugares, a Fetape pretende ampliar o número de ações, chegando até cinco ocupações numa mesma cidade. “Vamos transformar Paudalho e Vitoria, na Mata, e Ipojuca, no Grande Recife, nos nossos quartéis-generais do movimento de quarta-feira”, comentou João Santos, diretor de Política Fundiária da entidade.
A Fetape elegeu 2001 como o ano da intensificação das ocupações. Como estratégia do movimento, a entidade enviou, há 15 dias, 32 integrantes da diretoria para as três principais regiões do Estado. Eles terão a responsabilidade de organizar as ações, que não contarão com apoio de outros movimentos sociais nem de prefeitos. “Estamos trabalhando com a possibilidade de levar 2.500 pessoas para essas novas áreas, sem contar com ajuda de ninguém”, acrescentou João santos.