Em tempos de crise, use a criatividade para transformar sua casa no lugar mais agradável e original do mundo sem gastar uma fortuna
por LUIZA BARROS
Menos de R$ 199 (ou R$ 198,45, para ser preciso) no bolso e a vontade de ter um lar aconchegante na cabeça. O que poderia parecer uma combinação impossível, transforma-se em uma surpresa agradável e, com a licença da redundância, impressionante. Afinal, com criatividade e bom senso, é possível unir o útil (um orçamento enxuto) ao agradável (uma casa bonita e personalizada). É o fim dos padrões regidos por uma certa ‘ditadura estética do bom gosto’ e, quase sempre, do maior preço.
“Valor estético não está necessariamente atrelado ao custo que as coisas têm. Ao contrário do que pensa a maioria, a relação entre preço e estética não existe”, taxa o arquiteto Bruno Lima, do O Norte Oficina de Criação. Ele e seus pares (os também arquitetos Lula Marcondes e Chico Rocha) mataram a cobra e mostraram o instrumento cabal do crime, para se apropriar de uma expressão popular referente à comprovação de um fato. Munido de R$ 199, o trio ambientou uma sala inteira (pasmem!) – com direito à mesa, cadeiras, poltronas, centrinho e até mesmo pintura para a parede. De acordo com eles, a solução se adapta bem para salas de 9 a 20 m².
No pano de fundo de questões tão práticas e nada herméticas – decoração com pouco dinheiro -, há uma conceituação filosófica de ambientação. “Ambientar não é construir cenários, mas criar ambientes. Infelizmente, as pessoas ainda querem imitar a casa que viram em revistas ou filmes. Esquecem que casa não é depósito”, avalia Chico Rocha. Por depósito, entenda-se o acúmulo de peças de decoração e objetos de arte, que, muitas vezes, só ocupam espaço. “Muitas das coisas acumuladas nas casas são inteiramente desnecessárias”, acrescenta Chico.
Ao selecionar melhor o que realmente interessa, economiza-se, ao mesmo tempo, espaço e dinheiro, além de poupar transtornos diários. “Entulhar a casa de peças traz transtornos cotidianos de manutenção. Quanto mais coisas houver, mais difícil será a limpeza. Uma casa entupida dá uma certa sensação de confinamento”, explica Chico. “Alguns ambientes são tão poluídos que mal sobra espaço para o dono”, brinca.
É MINHA! – Selecionar melhor os objetos e não se deixar influenciar por ‘cenários’ montados por alguns decoradores tornam um ambiente personalizado. “A casa tem que ter a cara do dono”, afirma Lula Marcondes. “Vestir a casa onde você vai morar é como se vestir. Os padrões de estilo devem se adapatar a cada pessoa”, reitera Bruno.
Por último, é preciso saber olhar para os objetos cotidianos, além de explorar alguns truques, como fazer um varal com tubo e fios de aço ou misturar tinta branca com corante. “As tintas de cor são caras, custam quase R$ 50. Com a mistura de corante com tinta branca, economiza-se quase R$ 40”, explica Lula. “É preciso explorar a capacidade de dar novos usos a materiais comuns. Um cavalete poder virar um pé de mesa e uma calha de PVC é facilmente transformada em porta-CD. Assim, ganha-se em mobilidade e versatilidade. Afinal, sem grandes problemas, a mesa de jantar pode se transformar em uma escrivaniha”, finaliza Chico.