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INUSITADO III
Homeopata diz que não se pode deixar de comer

Acupunturista e homeopata, o médico endocrinologista Regis Barbier não dá sorrisos irônicos nem usa palavras como ‘absurdo’ e ‘impossível’, cheias de pontos de exclamação, ao ouvir que existem pessoas no Brasil afirmando publicamente que estão há dois anos se alimentando de luz. Mas também não defende que isso seja possível.

“Tornar as glândulas pituitária e pineal capazes de absorver a energia solar e nutrir o corpo significa realizar uma transmutação biológica. Isso nunca foi feito por cientistas. E se isso for possível a um ser humano, não acredito que alguém o faça em apenas 21 dias”, justifica. “Seria necessário um processo alquímico capaz de transformar fótons em proteínas e açúcares”, detalha.

Ele reconhece, contudo, que, enquanto a glândula pituitária (hipófise) é bem conhecida pela medicina, sendo considerada o ‘cérebro’ do sistema endócrino, a pineal é bastante controvertida. Sabe-se muito pouco sobre ela, apenas que regula os ciclos orgânicos, como a puberdade, funcionando como uma espécie de relógio biológico. “Além de produzir um hormônio chamado melatonina, que está relacionado ao sono”, informa.

TERAPIA DO JEJUM – Nas áreas místicas, lembra o homeopata, há vários casos de iogues e santos, que chegam a passar longos períodos sem comer ou ingerindo apenas líquidos a partir de uma redução de seus metabolismos. Mas sempre em condições especiais, com muita meditação, onde até podem desenvolver poderes paranormais, como clarividência e levitação. “Ainda que nenhum desses casos tenha comprovação científica, eu não estranharia que alguém já acostumado a jejuar, colocado nessas condições, sem estresse e de preferência em um clima úmido, ficasse até três meses sem comer.”

Segundo o médico, há um segmento da medicina natural conhecido como ortopatia, que defende a prática do jejum como forma de tratar doenças. “Desde a Antiguidade, o jejum é curativo. E há relatos de cura de miomas e lipomas depois de períodos sem alimentação. Os animais o fazem até recuperarem a saúde”, revela. E o próprio ato de olhar o Sol de manhã cedo é costume recomendado por antigos naturalistas. “Mas não vejo porque o ser humano deva dispensar os alimentos da natureza, que já são 100% fabricados pelo Sol. Não somos plantas, não há coerência nisso”.(L.C.)

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Jornal do Commercio
Recife - 15.07.2001
Domingo