LG_jc.gif (3670 bytes)

ENSINO
Cursos a distância sofrem preconceito, diz professor

“Se as universidades brasileiras não acordarem, serão engolidas pelas estrangeiras.” A afirmação do criador da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo e presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Fredric Litto, se refere à resistência do Brasil aos novos modelos de ensino a distância. Litto aponta o preconceito das universidades brasileiras como o principal empecilho ao crescimento de cursos a distância, desenvolvidos para a Internet ou não.

Durante a V Conferência Internacional Sobre Educação em Meteorologia e Hidrologia (CALMet), na semana passada no Recife, o professor disse que apenas cinco universidades brasileiras são autorizadas pelo Ministério da Educação e Cultura a ministrar cursos pela Web: as federais do Pará, Ceará, Mato Grosso e Paraná e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. “Ainda existe aquele medo de que a educação a distância não preste. Algo como ‘você confiaria em um médico formado em um curso a distância para operar seu cérebro?’”, exemplifica Litto.

Do outro lado da polêmica, estão as empresas privadas e estudantes de pós-graduação. “Quem estuda não se importa com a aprovação do MEC, e sim, com o mercado como um todo”, argumenta.

Os cursos online são uma realidade em muitas instituições na Europa e Austrália. O presidente da Abed, no entanto, endossa a tese de que a educação a distância não vai suplantar a presencial, e sim complementá-la. “A Internet é um meio de comunicação com recursos multimídia nunca imagináveis no passado, o que impulsionou o crescimento do ensino fora da sala de aula”, diz.(M.P.)

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 18.07.2001
Quarta-feira