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COMPRAS ONLINE III
Quando o excesso de a confiança é o inimigo

Se o problema com a compra realizada pela Internet superar o âmbito da insatisfação para se transformar literalmente em caso de polícia, é hora de recorrer à Delegacia de Proteção ao Consumidor. O órgão é o mais indicado para denúncias graves, que envolvam histórias de fraude e uso de má fé, geralmente protagonizadas por oportunistas de plantão. “Abrimos um inquérito policial como qualquer outro e, com base no CDC, no Código Penal e nas leis esparsas, que definem crimes contra as relações de consumo, apuramos a responsabilidade criminal, encaminhando o processo à Justiça”, afirma a delegada Nely Queiroz.

No papel de vítima de um desses enredos, a engenheira Eliana Sangreman tenta há seis meses ser ressarcida de alguma forma do prejuízo amargado por uma aquisição mal-sucedida feita através da Web.

Após passar dias percorrendo as lojas da cidade à procura de equipamentos específicos de Informática sem obter sucesso, a engenheira decidiu atender aos apelos do filho, o estudante Pedro Paulo, de 17 anos, e adquirir as peças através da Web.

Na seção de comércio do fórum disponibilizado pelo site hardMOB (www.hardmob.com.br), o adolescente encontrou tudo o que precisava: um processador AMD de 900 MHz, cooler, placa-mãe, placa de vídeo, placa de som, modem e memória de 128 MB.

Como o valor das mercadorias (R$ 1,6 mil), anunciadas por um internauta de Porto Alegre, ficava bem abaixo do das lojas reais, Pedro não hesitou em fechar o negócio. “O que me motivou ainda mais foi o fato de que outros amigos já haviam comprado produtos anunciados nessa página e recebido o material completo e intacto”, conta o estudante.

Depositada a primeira parcela do pagamento, Eliana e Pedro foram a uma agência dos Correios buscar a encomenda e pagar a segunda prestação. “Desconfiamos logo do tamanho da caixa e, quando a abrimos, confirmamos a suspeita de ter caído no conto do vigário, ao nos depararmos com um monte de papel rasgado e uma fonte de alimentação, usada para fazer peso”, lembra Eliana. “Mas era tarde, já tínhamos pago”.

Muita contrariedade e duas audiências depois, mãe e filho esperam agora a punição do vendedor inescrupuloso, que deve ser indiciado por estelionato: “Dei parte na Delegacia de Proteção ao Consumidor principalmente por uma questão de cidadania, para que ele não continuasse enganando outras pessoas”, afirma Eliana.

A lição aprendida com todo o transtorno? “Nunca mais compro a um desconhecido pela Internet, a não ser numa loja com credibilidade no mercado, que é mais seguro”, garante Pedro.(M.L.D.)

Serviço

Procon – (81) 3423.6618 - Delegacia de Proteção ao Consumidor – (81) 3224.2248 - Para consultas simples, o internauta também pode recorrer ao e-mail procon@fisepe.pe.gov.br

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Jornal do Commercio
Recife - 18.07.2001
Quarta-feira