Colégios e faculdades abrem espaço para o ensino de Informática além do Windows
por BRUNA CABRAL
bruna@jc.com.br
Na disputa pela hegemonia do mercado de softwares, as grandes corporações estão fazendo dos laboratórios de Informática de escolas e universidades recifenses verdadeiras trincheiras. A partir de agosto, pelo menos três centros de formação em Linux e Macintosh entram em funcionamento, pondo em xeque a regra de que o bê-a-bá da Informática passa necessariamente por conceitos como Windows, Excel e Word.
O Colégio Americano Batista terá dois laboratórios Linux, que totalizam dois servidores e 33 computadores. Haverá aulas nos três turnos, beneficiando 1,5 mil alunos apenas nos cursos regulares. “Muitos desses jovens estudam Informática há anos, mas seu aprendizado estava estagnado de tanto trabalhar os mesmos conceitos de Windows”, afirma o assessor da diretoria, Tedy Ander. Segundo ele, investir em programas como Corel sairia caro para a escola. O Linux surgiu, então, como uma opção para unir a renovação do ensino à gratuidade.
À noite, será a vez dos cursos profissionalizantes. A equipe de professores receberá um ‘reforço’ de experts como Rildo Pragana, que dará aulas de programação. São nomes como o dele que respaldarão a certificação de técnico em Linux, “by Americano Batista”. As matrículas custarão de R$ 250 a R$ 400.
A FIR (Faculdades Integradas do Recife) também vai oferecer formação em Linux. Graças a uma parceria com a LBS, oferece no fim do mês cursos de introdução a Linux, de PHP4 e Kylix por cerca de R$ 270. “O centro oferecerá formação baseada nas regras do Linux Professional Institute (LPI), que regulamenta o ensino do sistema free em todo o mundo”, afirma o diretor da empresa, Maruen Said.
Segundo o executivo, o resultado será a formação rápida de profissionais aptos a suprir a demanda por especialistas em soluções open source. “Atualmente, 15% das empresas do Estado usam Linux. Há um ano, esse índice era de 3% a 4%”, diz Maruen. Os planos da faculdade prevêem a inclusão de Linux no currículo dos cursos regulamentares de Informática.
Outro que recorreu à LBS foi o Centro Caruaruense de Ensino Superior. O resultado? Dois cursos de férias: um de introdução a Linux e outro de administração de sistemas, que custam de R$ 220 a R$ 270. “A intenção da faculdade também é regulamentar o ensino de Linux.”
MAC – O Linux não é o único concorrente do Windows que está invadindo as salas de aula. A Escola Dom Bosco de Artes e Ofícios decidiu montar um superlaboratório Macintosh. “Com os computadores e sistemas da Apple é possível rodar todas as plataformas e ensinar um pouco de cada uma aos estudantes”, afirma Fernando Boulitreau, diretor da Tropical Mac, que firmou parceria com a escola. Além de ter dado descontos de até 20% no preço dos equipamentos, a Apple pretende fazer do laboratório um Centro de Treinamento Oficial Macintosh: enviará técnicos para capacitar os professores. O laboratório, que também será usado para cursos profissionalizantes, fica pronto este mês.