O cenário nas proximidades da zona vermelha (reservada ao G-8) de Gênova após o embate era desolador: poças de sangue, vitrines quebradas, carros queimados, inclusive um camburão, lojas saqueadas e confrontos que podem durar até a madrugada do domingo. Os serviços de socorro informaram que já havia mais de 100 feridos.
A polícia, que atuou pontualmente no início, teve de conter à tarde uma terceira onda de manifestantes, que prometiam “liberar” a zona vermelha instalada no centro da cidade.
Dentro da área de acesso restrito, cujos muros de concreto e aço de quatro metros de altura correm o risco de se tornar o símbolo desta cúpula, os presidentes das oito potências mundiais se reuniam para debater temas como a pobreza, a redução da dívida, a desaceleração econômica e a criação de um Fundo Mundial da Saúde.
Apenas alguns manifestantes conseguiram penetrar num ponto do “muro da vergonha” - expressão pela qual os manifestantes se referem à zona vermelha. Os jovens foram imediatamente detidos.
Segundo o ministro do Interior, o jovem italiano Carlo Giuliani, 23 anos, foi atingido e morto por um disparo feito por um policial, em legítima defesa, de dentro da viatura que estava sendo atacada pelos manifestantes.
A intervenção policial foi dura e a reação dos jovens e moradores, de espanto e ódio. “Assassinos, assassinos”, gritava a multidão. Dezenas de pessoas foram detidas, de acordo com a polícia. Oito jornalistas também ficaram feridos.