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Lance Livre
Fernando Menezes

Interpretando a seleção

Um leitor e amigo me pergunta o que estou vendo de diferente, e para melhor, na seleção sob o comando de Felipão. Pouca coisa, respondi secamente. Mas para ser justo, há diferença para outros treinadores, especialmente a confiança que o elenco deposita no treinador. Ficou evidente nesses três jogos a estima que todos devotam a Felipão. A cada gol os jogadores correm para abraçá-lo antes de festejarem entre eles. E isso é positivo do ponto de vista de harmonia no elenco, de compromisso com o resgate de nosso futebol, que enfrenta uma crise e das brabas. Mas, sob o ângulo puramente técnico, essa seleção deixa muito a desejar. Desconfio que com esse grupo nosso progresso será curto, não conseguiremos o pleno resgate.

É preciso, no entanto, encarar os fatos com toda isenção, e interpretá-los com o máximo de clareza. Vejam bem os leitores, se o parâmetro for o que produzimos sob o comando de Luxemburgo e Leão, então sim, estamos bem melhores, pois em três jogos ganhamos dois, e mais ainda, conseguimos estancar a sangria, estávamos a seis jogos sem vencer! Só que é preciso dizer de quem ganhamos e como ganhamos. Do Peru, que levou para essa Copa América uma de suas equipes mais modestas, e do Paraguai, desfalcadíssimo, bastando citar que lá atrás estiveram ausentes o goleiro Chilavert, o lateral Arce e o zagueiro Gamarra. Sabemos que os três figuram entre os melhores do mundo em suas posições. Mesmo assim ganhamos, após um largo sofrimento. Contra o Paraguai viramos a partida, mas passamos mais de uma hora, exatos 62 minutos, tocando a bola para os lados, vivenciando nossa crônica incapacidade de furar um bloqueio e nossa inapetência para os disparos de média distância.

Além disso, é de ressaltar, e isso é uma posição minha, a fixação de Felipão em certos jogadores, a começar pelo Alex, um atleta que parece sonado, como quem acaba de sair da cama e permanece ressacado! Quem tem Juninho Paulista não pode deixá-lo no banco para jogar com Alex. Juninho tem que jogar pela mesma razão que Denílson também tem que entrar: eles têm que jogar porque são jogadores que detestam burocracia, ambos partem para cima dos adversários, tentam resolver com dribles, na ginga, com o melhor da nossa escola. E mais que tudo, são ambos velozes, qualidade escassa em nossa selecinha! Mas, enfim, é o que temos, vamos torcer, porque eles estão suando a camisa. É difícil resgatar plenamente nosso prestígio, mesmo ganhando essa Copa América, pois que já ficou claro que estamos vendo um torneio de baixo nível técnico.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.07.2001
Sábado