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Pinga-Fogo
Inaldo Sampaio

Espalha brasa

Difícil crer que o governador Jarbas Vasconcelos tenha tido previamente a idéia do dano causado aos seus aliados do PMDB, do PSDB e do PFL com a sua polêmica entrevista ao jornal “O Globo” (19/07) admitindo votar em Ciro Gomes para presidente da República. De uma cajadada só, como se diz popularmente, ele bateu no presidente da República, no vice Marco Maciel, no governador Itamar Franco e no ministro José Serra, que deve ser o candidato do governo à sucessão de FHC e sonhava com ele para ser seu vice.

Jarbas bateu no presidente FHC ao responsabilizá-lo diretamente pela desagregação da base aliada, bateu no vice Marco Maciel, por tabela, ao admitir votar em Ciro Gomes, que já declarou sucessivas vezes que deseja distância do PFL, bateu no governador Itamar Franco ao chamá-lo de atrasado e provinciano e, finalmente, no ministro José Serra, que 24 horas antes da entrevista chamara Ciro Gomes de “irresponsável” e “candidato do insulto”.

Bem, se a intenção do governador era se deslocar da base do governo para o campo da oposição, rompendo com seus aliados tradicionais, o seu objetivo foi alcançado. Mas se a finalidade não foi esta restará definitivamente comprovado que ele não tinha a menor idéia, quando concedeu a entrevista, do que estava dizendo.

Tratamento vip

Por incrível pareça, o senador Jáder Barbalho, que ontem pediu afastamento da presidência do Senado por 60 dias, foi tratado com elegância na entrevista de Jarbas (foto). Tudo que o governador disse sobre ele foi: “Cabia a Jáder, desde o primeiro momento em que isso (as denúncias de corrução) foi apontado, procurar fazer com que levantassem todos os sigilos, permitir um inquérito para sair desse emaranhado de denúncias. Isso não foi feito”. E só.

Entrevista 1

“Acho que Jarbas está certo”, foi tudo o que disse o ex-deputado Fernando Lyra (PPS) sobre a entrevista do governador ao jornal “O Globo”. Jarbas atacou também Pedro Simon ao afirmar que no Rio Grande do Sul ele é aliado do ministro Padilha (transportes) e, em Brasília, “uma pessoa radicalmente contra o governo e o presidente”.

Entrevista 2

O PFL pernambucano ficou altamente constrangido com o fato de Jarbas Vasconcelos ter admitido votar em Ciro Gomes. Em entrevista ontem à Rádio Jornal, o presidente André de Paula recusou-se a comentar o assunto. “O governandor é o líder principal da aliança e isso (apoio a Ciro) ainda está no campo das possibilidades”, disse ele.

Ex-ministro em Caruaru no próximo dia 28

Já com a perspectiva de receber o apoio de Jarbas, o ex-ministro Ciro Gomes estará em Caruaru no próximo dia 28. É para proferir uma palestra na XIIIª Convenção Lojista, pela qual embolsará R$ 6 mil (livre de impostos).

Presidente do PMDB já fala em dissidência

Dorany Sampaio disse ontem à Rádio Jornal que se o governador Itamar Franco eleger-se presidente do PMDB, na convenção de setembro, a secção pernambucana, que é dirigida por ele, abrirá uma dissidência.

Força do cargo

O ministro José Jorge (minas e energia) foi peça importante para concretizar o convênio assinado ontem, no Palácio do Campo das Princesas, para a construção de uma termelétrica no complexo de Suape. Como se trata de capital privado, espera-se que não caminhe com a mesma lentidão da BR-101.

Ídolo da Abecip

O ex-ministro Arnaldo Prieto (trabalho) foi quem saudou Marco Maciel na homenagem prestada pela Abecip ao vice-presidente. Disse ele: “Há pessoas que provocam um certo desencanto porque não são o que se pensava delas. Com Marco ocorre o contrário: quanto mais o conhecemos, mais o admiramos”.

O deputado federal Wôlney Queiroz (PDT) não trabalha com a possibilidade de candidatar-se a estadual nas eleições do próximo ano, nem que isso seja uma exigência das esquerdas para facilitar as composições políticas em Caruaru e, por tabela, a candidatura de seu pai, José Queiroz, ao Senado. “Sou candidato à reeleição”.

A boa forma física de Miguel Arraes, a sua disposição para visitar feiras e o seu desejo de permanecer na vida pública, apesar da idade ( 84 anos), chamam a atenção dos jornalistas que cobrem a visita dele ao sertão. “Pela 1ª vez eu o ouvi discursar sem o tradicional pigarro”, disse um radialista de Petrolina.

Aliados políticos de Joaquim Francisco (PFL) decidiram criar um “partido reserva” para acomodar candidatos a deputados estaduais nas eleições de 2002. Afinal, dizem eles, Jarbas Vasconcelos tem um, que é o PSDC, controlado por Luiz Vidal, e Roberto Magalhães tem outro, o PSD, presidido por Sílvio Costa.

A declaração de Jarbas admitindo votar em Ciro para presidente vai dividir de novo o PPS pernambucano, que é um projeto de partido à procura de uma identidade. Há exatamente 15 dias o partido se declarou “de oposição” ao governo estadual. Vamos ver como se comporta agora depois da fala do governador.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.07.2001
Sábado