SÃO PAULO – O presidente licenciado do Senado, Jáder Barbalho, terá de defender-se de mais uma denúncia no período de 60 dias que pretende permanecer afastado do Congresso. Uma nova fita descoberta pela revista IstoÉ comprovaria a participação do senador peemedebista na cobrança de propina de US$ 5 milhões para a liberação de um financiamento da extinta Sudam, em 1998. De acordo com a reportagem, o deputado estadual Mário Frota (PDT-AM) teria cobrado a quantia do empresário David Benayon.
Na fita obtida pela IstoÉ, Frota, que na época era o coordenador do escritório da Sudam em Manaus, teria informado o empresário que Jáder não abria mão de receber os US$ 5 milhões para liberar o empréstimo pedido. Os recursos pleiteados pelo empresário – US$ 40 milhões – seriam destinados à empresa de Benayon, a Mazonbec, que os aplicaria na produção de artigos de borracha. Jáder admitiu ontem conhecer Frota. Negou, entretanto, ter qualquer tipo de relação com a nova denúncia. “Isso é uma loucura”, afirmou.
Em uma decisão inédita na história do Congresso, o senador paraense pediu licença da presidência do Senado por 60 dias para se defender das acusações de desvio de verbas públicas do Banpará, da Sudam e de transações irregulares com Títulos da Dívida Pública (TDAs).
No lugar de Jáder, assumiu o senador Edison Lobão (PFL-MA), 1º vice-presidente do Senado, que estará à frente da Casa interinamente pelos próximos dois meses. O primeiro ato de Lobão foi convocar para próxima quarta-feira (25) uma reunião do Colégio de Líderes para discutir a situação de Jáder e tentar definir uma agenda de votações.
Nas duas páginas e meia de sua carta com o pedido de licença, Jáder se defende das acusações e faz questão de frisar que todas as denúncias remontam a períodos anteriores ao seu mandato de senador. Ou seja: Jáder está confiante que o Conselho de Ética não terá condições regimentais de prosseguir com as investigações, uma vez que a atuação desse colegiado se restringe ao período parlamentar.
Em entrevista, Jáder disse que vai esclarecer todas as dúvidas sobre as denúncias contra ele e chegou a se comparar a Jesus Cristo. “Nem Jesus Cristo, com toda sua bondade, escapou de ser crucificado. E ainda existem muitos fariseus por aí”, afirmou.