Um dia após admitir, em entrevista ao jornal O Globo, que poderá apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PPS) à Presidência da República, o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) encontrou-se com algumas dos principais líderes da base governista no Estado e em Brasília, durante a solenidade de assinatura dos contratos de construção da Termopernambuco, no Palácio do Campo das Princesas. Apesar da discrição, o mal-estar entre os presentes era evidente.
Jarbas não quis falar sobre o assunto e após o final da solenidade saiu rapidamente do Palácio em direção ao Aeroporto dos Guararapes, de onde embarcou para uma série de visitas ao interior do Estado, onde deu declarações sobre o assunto (leia na página 5). Entre os aliados que estavam no Palácio, a surpresa era geral.
Comedido, o vice-presidente Marco Maciel (PFL) preferiu não comentar o assunto. “Não acho que essa é a hora para tratar de sucessão. Prefiro ficar com as palavras da Bíblia que dizem: tudo tem seu tempo. O tempo agora é de administração. É de discutir problemas como esse de que tratam os contratos assinados hoje. Não vamos colocar o depois antes do antes”, desconversou. O ex-governador e deputado Joaquim Francisco (PFL) também se recusou a comentar as declarações de Jarbas. “Não tenho nada a dizer sobre isso”, afirmou.
Já o vice-governador Mendonça Filho (PFL) preferiu minimizar as declarações de Jarbas. “Comungo com o governador da mesma opinião sobre as discussões sobre sucessão. Esse é um tema que será debatido no próximo ano. Não posso e nem quero avaliar a postura do governador. O que posso dizer é que os boatos sobre prejuízo para a aliança não existem. Seria ingenuidade pensar que um comentário poderia comprometer a aliança em Pernambuco”, avaliou.
O vice-governador disse não ter tomado conhecimento, também, das declarações do senador Roberto Freire, no início do mês, de que o partido se colocava como oposição ao presidente Fernando Henrique e a Jarbas Vasconcelos. Na ocasião, o PPS indicou o nome de Freire para a Frente de Esquerda no Estado. “A única coisa que sei do PPS é o que li hoje nos jornais. Vi as declarações de Roberto Freire e Byron Sarinho, que por sinal foram muito simpáticas ao governador”, concluiu.
O presidente da Assembléia Legislativa, Romário Dias (PFL), garantiu que se Jarbas optar pelo apoio ao PPS o assunto terá que ser discutido internamente pela base governista. “Não queremos discutir uma postura do governador, mas se isso se concretizar será necessário uma ampla discussão”, concluiu.
Fontes ligadas ao Palácio confirmaram que as declarações do governador repercutiram fortemente junto a base governista. “Por mais que os aliados estejam falando que respeitam a posição do governador e que isso não traria nenhum prejuízo à aliança, não dá para aceitar esse tipo de declaração. O próprio Jarbas sabe que seu posicionamento pode trazer alguns problemas internos”, explicou um governista.