Conheça a região francesa que produz a bebida mais charmosa e festejada do mundo, o champanhe, gerado a partir da harmonia de vinhos, uvas e solo especial
por CEÇA BRITTO*
Editora de Turismo & lazer
No dicionário, a tradução é básica: champanhe quer dizer, simplesmente, aguardente. É isso mesmo, uma bebidazinha alcoólica extraída geralmente de uma fruta típica de uma região. Seguindo mais profundamente pelo verbete, chega-se a uma definição mais generosa. O cobiçado substantivo é um tipo de vinho. Já pelo vocabulário turístico, regido pelas divisões geográficas, o léxico é ainda mais claro: pelo mapa, Champagne, com o elegante gn, é um charmoso e delicioso pedaço de terra em território francês.
Agora, se você já se recuperou da decepção inicial, é preciso juntar as informações e saber que champanhe é, de fato, um vinho espumante produzido na região Nordeste da França, a Champagne-Ardennes, e que seu nome é exclusivo para a bebida produzida apenas naquele pedaço do planeta. Não adianta dizer que um vinho espumante feito em qualquer outra parte do mundo, inclusive em outra região da própria França, é champanhe, pois não o é. Segundo Jean Louis Murcia, diretor-adjunto do Comitê de Turismo da Champagne-Ardennes, essa é uma questão legal, que visa a proteção do nome e a especialidade do produto. Portanto, acostume-se a chamar aquilo que você tem em casa de ‘vinho espumante’, e não inclua nisso, por favor, a cidra.
Os especialistas comentam que o sabor da bebida feita na região é único por causa do solo calcário (no frio, protege a raiz da vinha, no calor, mantém a temperatura fria) e também pela posição com que o sol inside sobre os vinhedos, o que contribui para a qualidade das uvas. A região francesa e a bebida inventada no século 18 estão absolutamente ligadas. Tanto, que faz parte de um dos mais respeitados e procurados roteiros turísticos do mundo. A rota do champanhe consiste em 600 quilômetros de passeios por pequenas cidades históricas, recheadas de caves, gastronomia inigualável e um povo extremamente acolhedor. Ao todo, são sete percursos, que vão de Marne a Aube. O visitante vai poder, se percorrer toda a rota, da fronteira da Bélgica à nascente do Rio Sena, observar verdes planícies cobertas de vinhedos, rios sinuosos, castelos e boa parte da arquitetura medieval.
Mas, se o tempo não permite cascavilhar cada recanto dessa região ensolarada e verde, desbrave a santíssima trindade da bebida mais cobiçada do mundo: Eperney, a Capital do Vinho e do Champanhe, Reims, a capital econômica, e Chalôns en Champagne, a capital administrativa. Vale a pena estender o roteiro e conhecer Troyes, a capital histórica da região e uma das melhores opções de diversão noturna.
Claro que o grande objetivo da viagem é sorver taças e taças dessa bebida especialíssima, gerada a partir da mélange, mistura delicada e harmoniosa de vinhos de várias cepas e safras, nascidos das uvas vermelhas pinot noir e pinot meunier, e da branca chardonnay, que devem ser colhidas precocemente para manter a alta acidez, essencial para o frescor da bebida. Para atingir a característica borbulhante, o processo requer dupla fermentação, um período entre dois e 12 anos de descanso nas caves, e outras três ou quatro etapas mais, para então estar pronto o famoso vinho espumante da Champagne, o champanhe.
Depois disso, começa um novo e prazeroso ritual: degustá-lo. Os especialistas ensinam que primeiro deve-se olhar as cerca de 50 milhões de bolhas dentro da taça, admirá-las. O segundo passo é sentir o cheiro da bebida, em seguida, encostar a taça no ouvido e escutar o barulhinho das borbulhas se dissolvendo no ar. Por fim, é a hora de dar o primeiro gole devagar e delicadamente. No mais, é só festejar. Santé!
*A jornalista viajou a convite da Maison de la France e do Comitê Regional de Turismo da Champagne-Ardennes, com apoio da Air France