No dia 3 de janeiro de 1772, o empresário Philipe Cliquot anunciou no jornal Gazette de France seu novo empreendimento: estava abrindo um negócio de vinhos. Determinado e ambicioso, em pouco tempo ele ultrapassou fronteiras e colocou sua marca na mesa dos czares. Logo a bebida virou mania entre os nobres russos e a preferida de nomes como Gogol e Tchekchov.
Anos mais tarde, em 1798, Philipe associou-se ao seu filho, François, que tinha acabado de se casar com Nicole-Barbe Ponsardin, que logo ficaria viúva e, ainda jovem, aos 27 anos, assumiria os negócios deixados pelo marido. Com ela, nasceu uma nova etapa e o champanhe mais sofisticado da França.
A viúva Cliquot imprimiu um sabor característico à sua bebida. Tornou-a mais espumante e mais consistente. O estilo Veuve (viúva) Cliquot se traduz pela estrutura do vinho adquirida com a mistura do forte sabor pinot noir (60%) e da fineza do chardonnay (40%).
Seu maior mérito, no entanto, foi conseguir clarear a bebida, até então um vinho mais escuro e rústico por causa dos resíduos da uva. Nicole inventou a remuage, um método adotado depois por toda a Champagne, que consiste em juntar o sedimento no gargalo da garrafa, dando-lhe todos os dias uma ou várias rotações de 1/4, 1/8 e 1/16 de volta e colocando a garrafa novamente na posição vertical. A borra do gargalo é retirada com o dégorgement (resfriamento do gargalo a uma temperatura de 30 graus negativos, em que a borra fica dentro de uma pedra de gelo e, assim, é retirada).
O rigor de madame é levado muito a sério até hoje, apesar da marca não pertencer mais à família Cliquot – hoje é uma das empresas do grupo LMVH, detentor de grifes como Louis Vuitton, Dior, Givanchy, Kenzo e Guerlain. Para se chegar ao sabor ideal da bebida Cliquot, os enólogos experimentam cerca de mil amostras de vinhos em um trabalho constante nos subterrâneos das 300 caves da empresa na região, que armazenam nada menos que 40 milhões de garrafas de champanhe.
Parte delas já vem para o Brasil.Segundo Christian Maille, diretor regional de exportação da Veuve Cliquot, a marca é vendida para cem países e o Brasil está entre os 15 primeiros do mercado. “A expectativa para o Brasil é muito boa. O País é receptivo e há um estilo de vida festivo e repleto de celebrações, o mesmo espírito que a bebida reflete.”