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JACKSON DO PANDEIRO III
Paixão dos autores só aumentou depois que conheceram Jackson mais a fundo

O jornalista Fernando Moura é paulista, mas já tem três décadas de Paraíba. Ele mora em João Pessoa, assim como seu parceiro Antônio Vicente. Moura revela que quando começaram a pesquisa que deu origem ao livro O Rei do Ritmo não era grande fã de Jackson do Pandeiro: “Tornei-me com a pesquisa. Começamos com a intenção de mapear os artistas paraibanos, só que o Estado é de uma riqueza tão grande nessa área, que, até por incentivo de alguns músicos, optamos por concentrar nossos esforços em um só artista, no caso o maior deles, Jackson”.

As maiores dificuldades para concluir o trabalho, segundo, Moura não vieram das informações biográficas; os parentes, e ex-mulheres (Almira e Neuza) foram todos muito solícitos. “Difícil foi chegar à discografia completa. Não se vai escrever sobre um gênio da música feito Jackson sem detalhar todos seus discos. O problema é que Jackson gravou por uns dez selos diferentes, cerca de 414 músicas, e 137 discos. Fomos atrás de colecionadores, a maioria colaborou, mas houve outros que não quiseram compartilhar as informações. No geral acho que chegamos perto de tudo que ele lançou”, calculam.

Ao longo dos oito anos de pesquisa, Moura e Vicente amealharam não apenas dezenas de discos, como também objetos pessoais do biografado (chapéus, pandeiros, fotos), para os quais já têm um destino definido: “Vai tudo para o Museu Jackson do Pandeiro, que será fundado em Alagoa Grande”.

Quem irá cuidar do museu será Neusa Flores, a última mulher de Jackson do Pandeiro, que foi descoberta pelos autores de O Rei do Ritmo trabalhando como doméstica em São Paulo. Ela concordou vir morar em Alagoa Grande, a cidadezinha onde José Gomes Filho nasceu.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo