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COTIDIANO
Lixo incomoda vizinhos do Holiday

Além da falta de higiene, outro grave problema é a desordem do comércio instalado no entorno do edifício, uma das construções mais famosas do Recife no passado

A falta de higiene e ordenamento nos arredores do Edifício Holiday, em Boa Viagem, têm irritado vizinhos e moradores do prédio. Os bares do entorno estão com as licenças da Vigilância Sanitária vencidas, segundo informa o órgão. A sujeira também se agrava devido aos problemas nas caixas de esgoto do imóvel. “Nós demos um prazo para que se corrija a instalação. Além disso, estamos fazendo um trabalho de conscientização com os moradores, mas é difícil por causa da grande rotatividade, e comerciantes”, afirma Marcelo Lira, do 6º Distrito da Vigilância Sanitária do município.

O cotidiano dos moradores de uma das construções mais famosas do Recife já foi notícia por causa de assassinatos, tráfico de drogas e prostituição. Hoje, a vida nesse ícone urbano é mais pacífica, porém continua a chamar a atenção da vizinhança, em conseqüência da desorganização dos arredores. “Trabalho até tarde da noite e, quando saio, freqüentemente encontro pessoas defecando na rua e lixo acumulado. Sem dúvida falta organização”, diz Ítalo Bruno, que trabalha em um escritório a poucos metros do Holiday.

Pode-se imaginar que o mundo em volta do edifício faz questão de ‘torcer o nariz’ para a imponente massa de concreto, pela fama de favela verticalizada. No entanto, a falta de limpeza na área também incomoda os próprios moradores e comerciantes do lugar. “O lixo é um dos maiores problemas. A gente tem que trabalhar e conviver com a imundice”, reclama a comerciante Rosemary Souza, que gerencia um bar no térreo do prédio.

No terreno dos fundos do edifício, com restos de comida, latas e dejetos ficam carroças de autônomos que vendem cachorro-quente e bebidas na praia. O lixo facilita a proliferação de ratos, que circulam pelos espaços do prédio e nos bares ao redor.

O interior da construção, de 1957, também preocupa pelos problemas na estrutura física. Caminhando pelos corredores, encontram-se por toda a parte vazamentos que corroem o concreto, abrindo buracos e rachaduras.

Um dos apartamentos mais danificados é o da aposentada Neide Santos. Ela mora há 25 anos no nº 328, que, nos últimos três anos, começou a apresentar sérios problemas de infiltração. A água deixou buracos no teto e nas paredes, expondo ferragens totalmente oxidadas. Devido aos vazamentos, até a porta do banheiro caiu.

Os cerca de três mil habitantes do Holiday ainda têm que conviver com instalações elétricas danificadas, muitas com fiação à mostra. Também não há extintores de incêndio. Dado alarmante, em se tratando de um prédio de 17 andares, com 416 apartamentos.

Os elevadores também são outro problema. No início do ano, o Ministério Público Estadual ingressou com ação na Justiça por causa de irregularidades nas instalações e nas casas de máquinas. No entanto, segundo o síndico, Roberto Silva, os equipamentos já receberam manutenção.

A inadimplência, de acordo com o síndico, é a raiz dos problemas. Ele informa que cerca de 40% dos condôminos estão devendo, há meses. Desses, uma grande parcela não paga simplesmente porque não quer. Para muitos moradores, o poder público deveria intervir, sobretudo no ordenamento do comércio local.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo