Na semana que passou, a polícia entrou mais uma vez no Holiday. Quatro adolescentes residentes no prédio estavam no apartamento de duas prostitutas, também moradoras. Todos estavam drogados. Quando os policiais chegaram, houve confusão, troca de tapas e gritaria. No fim, foram liberados.
Segundo os moradores, situações como essa ainda são comuns, mas não chegam perto do cotidiano de violência de um passado recente, quando eram freqüentes tiroteios nas imediações, tráfico de drogas pesadas e redes de prostituição instaladas no prédio. “Antes, os moradores eram assaltados dentro do corredor”, informa o biscateiro José Alfredo Filho, que mora há 20 anos no Holiday.
De acordo com moradores, muitos dos criminosos que ali residiam morreram ou procuraram lugares menos visados. Hoje restam alguns pequenos traficantes e poucos assaltantes, em meio a centenas de famílias de trabalhadores.
No entanto, também foi necessária a contribuição dos próprios habitantes para a melhoria da situação. Hoje, a prevenção começa na portaria. Não entram mais clientes das prostitutas que moram no local. Eles são barrados por funcionários, como Necy da Cruz, que há mais de 20 anos trabalha no edifício. “Isso aqui hoje está um paraíso”, afirma.
À noite, um homem faz a segurança nos corredores do prédio. Já chegou a quatro o número de vigilantes, mas, segundo o síndico, Roberto Silva, o funcionário que atua hoje tem sido eficiente na resolução de conflitos. “Na maioria das vezes, têm a ver com uma bebedeira ou brigas. Quando a situação é mais complicada, chama-se a polícia”, diz.
Apesar dos esforços, a má fama do Holiday persiste e afeta diretamente os comerciantes da área. Para Rosemary de Souza Lima, esse tem sido um dos piores momentos nos mais de 20 anos em que trabalha nas imediações. Antes de gerenciar um bar no térreo do prédio, ela tinha uma barraca na calçada do imóvel, onde servia bebidas e petiscos. “Havia um fluxo grande de funcionários de bancos e de lojas próximas, até o dia em que houve um tiroteio em frente ao bar. Isso faz três anos, mas nunca mais foi a mesma coisa. Morre o homem, mas a fama fica, como diz o ditado.”