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FÓRUM SISTEMA JC
O teste da educação pública

Debate réune, na terça-feira, autoridades na área e educadores para discutir a democratização do acesso dos alunos da rede oficial à universidade

Se entrar na universidade às vezes parece difícil para quem nunca teve dificuldade em pagar as melhores escolas e cursinhos pré-vestibulares, a realidade é ainda mais dura para aqueles que penam até por uma matrícula nas escolas públicas. Tudo parece mais difícil, mais complicado. A dificuldade desses estudantes é tema do Fórum Sistema JC Debate sobre “Os desafios encontrados pelos alunos das escolas públicas no ingresso à universidade”, que será realizado na próxima terça-feira (23), às 19h, na sede do Jornal do Commercio.

Participam da discussão o secretário estadual de Educação, Raul Henry, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mozart Neves Ramos, o diretor da Fundação Gilberto Freyre, Gilberto Freyre Neto, e o coordenador pedagógico do Rumo ao Futuro, Gildo Passos.

A presença de ex-alunos da rede pública ainda é pequena no ensino superior local. Estatísticas das instituições de ensino comprovam que a maioria opta por trabalhar em vez de seguir a carreira acadêmica. Na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), por exemplo, o número de ex-estudantes da rede pública é acanhado. Do total de alunos aprovados no vestibular do ano passado, apenas 11,2% estudaram em colégios públicos.

Vera Lúcia Cabral, 33 anos, faz parte dessa estatística. Saiu de uma escola pública em 1987 e, como muitos estudantes da rede oficial, entrou numa universidade paga, em um curso de baixa concorrência. Durante cinco anos, teve que se dividir entre o trabalho, durante o dia, e os estudos, à noite. Mesmo assim, conseguiu superar as dificuldades. Hoje trabalha na área jurídica de um grande banco e cultiva o sonho de entrar, como portadora de diploma, no curso de Economia da UFPE. “Já tenho 12 disciplinas isoladas pagas e soube que tenho boas chances de conseguir uma vaga”, comemora.

Nas universidades federais a participação também é pequena, embora venha aumentando, a passos lentos, nos últimos anos. Segundo a Comissão de Processos Seletivos e Treinamento (Covest/Coopset), 26,94% dos estudantes que entraram este ano nas universidades Federal e Federal Rural vieram da rede pública. O percentual é considerado normal pela Covest. “É a demanda natural. Muitos optam por trabalhar ou preferem cursar escolas técnicas”, observa o vice-presidente Armando Cavalcanti.

Ele acredita que este ano o número de aprovados vai aumentar devido a programas desenvolvidos pelo Governo do Estado destinados a estudantes e ex-estudante da rede pública. “Acho que no vestibular 2002 teremos uma aprovação de mais de 30%”, projeta. Os programa aos quais Cavalcanti se refere são o Rumo ao Futuro e o Rumo à Universidade, do Governo do Estado em parceria com instituições, como o Jornal do Commercio, Fundação Gilberto Freyre, pré-vestibular MasterNap e Universidade de Pernambuco.

“São programas que buscam democratizar o acesso ao ensino superior. Outro aspecto positivo é que o Rumo à Universidade contribui para a diminuição da violência entre os jovens durante o final de semana, já que aulas acontecem nesses dias”, explica o secretário estadual de Educação, Raul Henry. Para ele, esse é um momento novo na vida desses estudantes. “Eles estão tendo esperanças no futuro e recuperando a auto-estima.”

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo