JC OnLine - Editoria Cidades
LG_jc.gif (3670 bytes)

MORTE DE POLICIAL
Sinpol acusa GOE de negligência

A morte do agente do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE) Marcos Tadeu Borges, 41 anos, anteontem à tarde, na Praia de Porto de Galinhas, durante um treinamento realizado pela Companhia Independente de Operações Especiais da Polícia Militar (Cioe), revoltou parentes e amigos dele. Segundo informações dos outros oito policiais que participavam do curso, não havia equipamentos para a realização do mergulho que resultou na morte do agente. Marcos não estava apto para fazer parte do grupo porque foi reprovado no teste de aptidão física.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Henrique Leite, vai solicitar, na próxima terça-feira, que a direção do GOE seja afastada para que as investigações ocorram sem interferência. “Houve negligência por parte do GOE, pois Marcos Tadeu não poderia participar do curso. Uma das provas do teste de aptidão era nado de 200 metros em oito minutos. Ele só conseguiu nadar 75 metros. O GOE sabia que o agente não tinha condições físicas para estar nesse curso”, observou Henrique Leite.

O treinamento realizado em Porto de Galinhas consistia em mergulhar 10 metros de profundidade usando apenas pé-de-pato e máscara, depois de nadar cerca de 300 metros, conforme afirmou o presidente do Sinpol. “Não havia barco para acompanhar o treinamento e os dois instrutores ficavam embaixo d’água”. Henrique Leite acredita que o fato de os policiais terem almoçado meia hora antes dos mergulhos pode ter prejudicado Marcos Tadeu, que foi o primeiro a fazer a atividade. “Isso pode ter provocado uma congestão nele”, disse.

A esposa de Marcos Tadeu, Elisabeth Maria Francisca, contou que o marido era humilhado durante o curso. “Ele contava coisas horríveis que aconteciam. Pedi várias vezes para ele desistir, mas não teve jeito”, lamentou. Marcos Tadeu tinha um casal de filhos, de 16 e 14 anos.

O delegado Esdras Marques foi designado para conduzir o inquérito policial. Conforme o diretor de Polícia Judiciária, Antônio Carlos Cavendish, somente depois do caso apurado a chefia da Polícia Civil irá se pronunciar. Ele informou que os policiais que participavam do treinamento serão ouvidos terça-feira.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo