Mesmo considerando justas as reivindicações dos professores e servidores das universidades, alunos concluintes são os que mais sofrem as conseqüências da paralisação
por MARGARIDA AZEVEDO
Independentemente de quando termine a greve dos professores das universidades federais, os prejuízos da paralisação, que completa dois meses amanhã, dificilmente terão como ser compensados, até mesmo com a possibilidade de retomada das atividades dos funcionários. Apesar de concordarem com a necessidade de melhorias nas condições de funcionamento das instituições e de aumento dos salários dos trabalhadores em educação e da garantia de que o semestre letivo será reposto, muitos estudantes já contabilizam perdas. É o caso de Danilo Aguiar, Luiz Fernando Bandeira, Glauco Araújo Guedes e Arlon Breno Figueiredo.
Danilo foi aprovado, em agosto deste ano, para o cargo de técnico judiciário, durante concurso promovido pelo Tribunal de Justiça do Estado. Concluinte do curso de Direito, ele esperava se formar no final deste ano. Com a greve, a formatura agora não tem dia certo para acontecer e, por isso, Danilo provavelmente não poderá assumir o cargo. “Já fui nomeado, mas entrei com um pedido de prorrogação de posse. Tenho até o dia 6 de fevereiro para preencher a vaga. Caso contrário, vou perder o concurso”, lamenta o rapaz. Mesmo assim, Danilo não perdeu a esperança. “Espero que quando as aulas voltarem haja um maneira de concluir a graduação a tempo”, afirma o estudante.
A situação de Arlon Breno Figueiredo é parecida. Ele está no 10º período do curso de Medicina e imaginava que concluiria a graduação no próximo semestre. Tanto que já tem uma promessa de emprego em uma cidade do interior. “Agora não sei como ficará minha situação, pois acho que não vão esperar minha formatura. É difícil a gente dizer que apóia a greve quando está sendo prejudicado por ela. Só espero que haja ganhos para professores e funcionários”, diz Arlon.
A greve também já está causando dano à formação de Arlon. Isso porque durante o último ano do curso, os estudantes de Medicina fazem um internato em quatro áreas: pediatria, ginecologia e obstetrícia, cirurgia geral e clínica médica. “Iria passar para ginecologia no Hospital das Clínicas quando a paralisação começou. Sem pacientes, pois os servidores do hospital também aderiram à greve, parte da minha turma, inclusive eu, ficou sem ter o que fazer. Tentamos transferência para outros hospitais, mas não foi possível”, conta Arlon.
Já o projeto de Luiz Fernando Bandeira de fazer mestrado logo depois de concluir o curso de Direito terá que ser adiado em pelo menos um ano. Também formando, ele pretendia submeter-se ao teste de seleção para a pós-graduação ainda este semestre, uma vez que as aulas estão previstas para começar em março de 2002. “Do jeito como vão as negociações, duvido que o semestre poderá ser compensado a tempo para que eu possa me inscrever no mestrado”, observa Luiz.
CALOUROS – De todos os estudantes das universidades federais, talvez os calouros sejam os mais chateados com a paralisação. “Passar por uma greve logo no início do curso, sem nem mesmo ter tido uma aula, é muito desestimulante. Estudei bastante para ser aprovado no vestibular. Estava superanimado para começar as aulas”, afirma Glauco Araújo Guedes, aluno do primeiro período do curso de Fisioterapia. “Faço Química no Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica). Como ia começar a universidade, tranquei a matrícula do curso para me dedicar totalmente à Fisioterapia. Agora estou em casa, sem fazer nada”, conta o estudante.