As aulas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) não vão ser retomadas assim que a greve dos docentes terminar. Será preciso de pelo menos uma semana para que o novo calendário acadêmico seja montado. Sem contar que pelo menos metade das matrículas não foram digitadas porque os funcionários administrativos iniciaram a paralisação quase um mês antes dos professores, o que vai atrapalhar ainda mais o reinício do semestre letivo. Se as negociações entre o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, e os grevistas avançarem a ponto de encerrarem a paralisação esta semana, o pró-reitor acadêmico, Roberto Quental, já tem organizado um calendário, a ser iniciado no primeiro dia útil de novembro.
“Estão previstos três pequenos períodos de paralisações: durante o Natal, Ano Novo e Carnaval. Fora isso, seguiríamos direto com aulas até março, mais ou menos até o dia 15. Haverá um mês de intervalo entre o término das aulas e o início do segundo semestre, que deve começar por volta da segunda quinzena de abril”, explica Roberto Quental. “Isso não vai significar, no entanto, um mês livre para todo mundo. Mesmo assim, a proposta tem que ser aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão”, explica Roberto Quental.
O presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe), Sérgio Setti, diz que os professores não vão abrir mão dos 45 dias de férias garantidos por lei. “Essa greve é totalmente desnecessária. É desgastante, ruim para professores e alunos. O Governo poderia ter negociado com a gente antes que a paralisação começasse. A culpa é da instransigência do ministro Paulo Renato, principal responsável pelo que está acontecendo”, comenta Sérgio Setti. “Não abrimos mão da qualidade. Mas o novo calendário tem que prever os 45 dias de férias que temos direito”, observa o presidente da Adufepe.
Sérgio Setti destaca que essa greve nunca esteve tão legitimada. “Há a concordância do reitor, do conselho universitário, dos diretores de centro, dos chefes de departamento, dos servidores, dos professores e dos alunos”, comenta. “É preciso deixar claro para a população, principalmente para os estudantes, que estamos lutando por uma universidade pública, gratuita e de qualidade. Já tivemos 2.200 professores, hoje são 1.600. Quando deveríamos aumentar a oferta de vagas, o que se observa é o encolhimento das instituições”, pondera Sérgio Setti.
CURRÍCULO – A paralisação prejudicou também a reformulação dos currículos da universidade. Os coordenadores de curso tinham até o dia 30 de setembro para entregar os projetos com sugestões de modificações. Com a greve, o prazo foi prorrogado para 31 de outubro, mas também não foi cumprido. “Está difícil garantir que os novos currículos serão implantados já no primeiro semestre de 2002, pois as propostas têm que ser submetidas ao Conselho de Ensino”, justifica Roberto Quental.