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EDUCAÇÃO
Aluno de Medicina da UPE mais perto da população

Estudantes que entrarem na Faculdade de Ciências Médicas a partir do próximo ano vão ter um novo currículo. Logo no primeiro período, eles poderão acompanhar equipes do Programa Saúde da Família nas comunidades

por VERONICA ALMEIDA

Os feras que ingressarem no próximo ano na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco (UPE) deverão cumprir um currículo bem diferente do atual. O contato com o paciente, hoje feito só a partir do décimo período de Medicina (quinto ano), vai começar logo no primeiro, e bem distante do hospital: nas comunidades. Os futuros doutores vão aprender a combater doenças conhecendo a população. Acompanhando equipes do Programa Saúde da Família (PSF), vão observar aspectos sociais, ambientais e psíquicos que influenciam no bem-estar, na saúde individual e coletiva.

Essa nova proposta de ensinar Medicina na UPE foi construída por estudantes e professores. Segue a orientação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso Médico, aprovadas neste semestre pelo Conselho Nacional de Educação. O processo de transformação curricular marca a quarta etapa do Projeto Cinaem (Comissão Insterinstitucional Nacional de Avaliação do Ensino Médico). Há 10 anos, a comissão vem estudando o aperfeiçoamento da formação médica. Inicialmente, foram avaliados alunos, professores e escolas. Depois, discutidas as mudanças e, agora, chegou a fase da implantação. O projeto é comandado pela Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) e Conselho Federal de Medicina, com a participação de outras entidades médicas e da comunidade acadêmica.

“O currículo de Medicina da UPE já vinha passando por modificações”, explica o pró-reitor de Graduação da universidade e vice-presidente da Abem, Guido Corrêa de Araújo. Nos últimos anos, o período de internato (a parte prática do curso) incorporou passagem pelo PSF. As linhas gerais do novo currículo já estão definidas. No momento, estão sendo estabelecidos os conteúdos das aulas. Em dezembro haverá uma assembléia de docentes e alunos, para aprovar a aplicação do currículo a partir de fevereiro. Por enquanto, só os feras vão estudar Medicina nesse novo formato. Os que já estão no curso seguirão o currículo antigo.

Para implantar a novidade, a direção da Faculdade de Ciências Médicas está em entendimento com a Secretaria de Saúde do Recife. O aumento do número de equipes do Saúde da Família, a partir deste ano na cidade, viabilizará a nova atividade extraclasse dos futuros doutores. “A inserção dos estudantes logo no início do curso vai fazer com que tenhamos no mercado profissionais com perfil mais adequado à filosofia do PSF”, avalia Paulette Cavalcanti, diretora de Atenção Básica do Recife.

O estudante Heider Pinto, que participa da Comissão de Reforma Curricular da Faculdade de Ciências Médicas da UPE, explica que o novo currículo vai entregar à sociedade um médico com quatro qualidades fundamentais: “eticamente alicerçado, socialmente comprometido, cientificamente embasado e praticante da medicina humana e integral”. O presidente do Conselho Regional de Medicina, Jurandir Brainer, afirma que o profissional formado com esse novo perfil terá uma melhor relação com seus pacientes.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo