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MERCADO INFORMAL Crise fabrica empreendedores
Cresce número de pessoas que trabalham por conta própria na Região Metropolitana do Recife, resultado da crise econômica que afeta o País
por JAMILDO MELO
Subiu o contingente de pessoas obrigadas a se virar por conta própria, em razão da retração no mercado de trabalho formal. O efeito da crise econômica sobre o emprego pode ser constatado nos números sobre o mercado de trabalho da Região Metropolitana do Recife, no documento Pernambuco em Dados, editado pelo Instituto de Planejamento de Pernambuco (Condepe).
Em 1997, o percentual de pessoas que trabalhavam por conta própria era de 22,9%. Em 99, o percentual subiu para 26,4%. No mesmo período, registra-se queda no emprego. Em 97, o percentual de pessoas empregadas chegava a 49,5%. No ano de 99, o percentual caiu para 47,7%.
O professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco Jorge Alexandre Neves explica que os números são resultado da reestruturação produtiva que o País experimentou na década de 90.
“A crise alterou a mobilidade social no País. Na década de 80, a mobilidade social era ascendente. Com as chances de emprego, uma pessoa podia obter uma melhor posição do que os seus pais. Na década de 90, ocorre justamente o inverso. As pessoas perdem o emprego e acabam em uma situação pior do que a situação dos seus pais”, observa Jorge Alexandre Neves.
Um exemplo do crescimento do trabalho informal é a explosão do número de motos que circulam como táxis nas cidades do Interior do Estado. As tabelas sobre a frota de veículos do Estado mostram o fenômeno claramente. No ano passado, a frota de motocicletas ganhou 25 mil novas unidades, enquanto a Região Metropolitana do Recife teve uma redução de 14 mil unidades, ajudando a explicar o avanço das mototáxis.
O economista Jorge Alexandre observa que o problema desses empregos é que eles, além de não oferecem proteção legal, também trarão graves conseqüências para a Previdência Social. O instituto terá problemas no futuro para pagar aposentadorias, ao não receber hoje as contribuições das pessoas que estão fora do mercado de trabalho formal. Jorge Alexandre defende mudanças na política de geração de emprego e renda, com a oferta de subsídios para favorecer a criação de empresas.
O superintendente do Sebrae, Mateus Antunes, atribui as mudanças no mercado de trabalho ao processo de privatização e reestruturação produtiva. “A venda de bancos como o Banorte, a privatização do Bandepe e a transferência da central de atendimento da Telpe para a Bahia provocaram um enxugamento violento no emprego em Pernambuco. Não é por outro motivo que há mais carrinhos de sanduíches nas praças”, diz Mateus Antunes. O Sebrae vem registrando aumento na procura por capacitação e busca de crédito para abertura de novos negócios.
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