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EXPORTAÇÕES
Camarão é o 2º na balança comercial

Setor deu saltos gigantescos e hoje só perde para a indústria sucroalcooleira na pauta de exportações

por MARIANA CAMAROTTI

Discretamente e sem alarde, uma atividade da economia pernambucana vem crescendo com números invejáveis a qualquer outro setor e já ocupa o segundo lugar na pauta de exportação do Estado. Perde apenas para a secular cana-de-açúcar. A atividade chama-se criação e industrialização de camarão, ou carcinicultura, quando a engorda do crustáceo é feita em fazendas com cativeiros. Para se ter uma idéia do salto dado pelo setor, a exportação dos oito primeiros meses deste ano é superior ao total de 2000. No segundo semestre, quando a temperatura sobe e a produção aumenta, as perspectivas são ainda melhores.

Além de ser uma contribuição positiva para a balança comercial do Estado, 95% da mão-de-obra empregada na criação de camarão é local e não necessita de especialização. “Na fase de engorda, emprega 0,7 pessoas por hectare. Uma proporção superior a qualquer outra atividade agropecuária”, diz Raul Madrid, coordenador da plataforma tecnológica e cultivo de camarão do Ministério da Agricultura.

O destino do camarão pernambucano é principalmente os Estados Unidos, que representa o maior mercado comprador, e países da Europa, como Espanha e França. “O setor está se profissionalizando, cada vez mais, para ter respaldo internacional”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha. Em quarto lugar nas exportações do produto em todo o País, perdendo apenas para Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará, Pernambuco tem condições ideais de temperatura e umidade para a atividade. Soma-se a isso o fato de o Estado ser auto-suficiente na produção de larvas, ração e industrialização de camarão, pois concentra empresas especializadas em cada uma dessas etapas.

EMPRESAS DE PESO – Assim como o Estado, as empresas pernambucanas são consideradas destaque nacional no setor. A fazenda da Atlantis, localizada no município de Goiana e de propriedade do Grupo Fernandes Vieira, possui hoje o mais moderno projeto de engorda em todo o País e vai estar ampliando sua área de 535 hectares para 570 hectares no próximo ano. O mesmo grupo possui uma indústria de beneficiamento e exportação do camarão, a Aqualíder.

Pernambuco tem mais. A indústria Netuno, que exporta 80% de sua produção para Estados Unidos e Europa, alcançou o posto de maior exportadora do Estado, desbancando nomes como Alcoa (alumínio) e Philips (equipamentos eletro-eletrônicos). Ela hoje industrializa o crustáceo cultivado por cerca de 90 pequenos pescadores, que são responsáveis por 95% da matéria-prima utilizada na empresa. Mas a Netuno já tem, em produção por enquanto experimental, uma fazenda com cativeiros. “Começa a funcionar a partir do próximo ano e deve aumentar em 30% a nossa produção porque a matéria-prima será mais barata”, diz o diretor industrial da empresa, Hugo Campos.

Números apresentados por Campos mostram que a perspectiva de crescimento da exportação e do faturamento com o camarão da Netuno é de 25%, acima dos 10% previstos para o restante dos crustáceos comercializados. Em nível nacional, as perspectivas da ABCC até o final do ano também são positivas em relação a 2000: fechar com alta de 116% no volume de camarão exportado e crescimento de 56% no faturamento. A proporção não é a mesma porque o preço do quilo do camarão teve uma queda de 40% em relação ao ano passado e de 15% em relação à cotação média histórica. A distorção em relação a 2000 deve-se à alta obtida no quilo do produto no ano passado. Mesmo assim, o setor está sendo beneficiado pela alta do dólar, que valoriza o produto nacional no exterior. No embalo da alta da moeda americana, a Netuno, por exemplo, está direcionando cada vez mais para o mercado internacional a venda de camarão.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo