Apesar do estrondoso crescimento na exportação de camarões, Pernambuco e demais Estados que produzem e industrializam o produto poderiam ter faturamento e mercado internacional bem maiores do que os atuais, caso oferecessem um produto com mais valor agregado. Ou seja, vendessem não só o camarão inteiro e congelado como hoje, mas também cortado em postas, sem cabeça, condimentado ou já transformado em guloseimas derivadas do camarão, vendidas por preços bem maiores.
É nisso que apostam os principais concorrentes internacionais, como o México, para garantir vantagem frente aos empresários do Brasil. Ao não oferecer o produto final, que é vendido aos supermercados e restaurantes estrangeiros, o País também deixa de divulgar e fortalecer a imagem brasileira no exterior.
“Com valor agregado, as perspectivas são maiores. Os Estados Unidos compram 345 mil toneladas de camarão por ano, dos quais 200 mil toneladas têm valor agregado. E dessa parcela o Brasil fica fora”, explica o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha.
Para tanto, diz Rocha, é preciso que os empresários se conscientizem e queiram investir em estrutura para beneficiamento. “Quando o produto chegar à ponta, para o consumidor final, as nossas marcas e a produção nacional serão divulgadas nas embalagens”, acrescenta o presidente da ABCC.
Além de não agregar valor ao seu camarão, o Brasil ainda tem um volume de produção bastante abaixo de seu potencial geográfico (tem uma extensa faixa litorânea e imenso território) e fitossanitário (o camarão brasileiro não apresenta doenças como a mancha branca ou cabeça amarela, que atingiram os crustáceos de seus concorrentes e fizeram subir o preço do produto nacional no ano passado). “O Brasil tem uma vantagem diante do resto do mundo. Não tem as doenças que assustam o mercado consumidor”, diz Paiva.
Resultado da falta de aproveitamento do potencial que tem é uma participação de apenas 1% na comercialização mundial do setor. É considerado o sexto maior produtor mundial, o maior é a Tailândia, e terceiro maior do ocidente. As vendas para o exterior representam 50% a 60% da produção nacional total.
PROJETO – Para aumentar o volume produzido e estimular os empresários a produzirem camarão com valor agregado, está sendo elaborado um projeto pela iniciativa privada e Governo Federal, tocado pela Agência de Promoção da Exportação (Apex).
Orçado em R$ 3 milhões, dos quais 50% devem ser financiados pelo Governo Federal e o restante pelos empresários, o projeto deve começar a ser implantado em 2002 e terá duração até 2005.
“Esse projeto vai divulgar a exportação no País e ensinar os produtores a implantarem equipamentos e instalações de industrialização em suas unidades”, explica.