É unanimidade no setor de camarão e o próprio poder público admite: há pouco apoio ou intervenção dos Governos Estadual e Federal e a expansão da exportação nos últimos anos deve-se especialmente à iniciativa privada. “Não há qualquer estímulo dos governos. O setor vem crescendo sozinho”, diz o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão, Itamar Rocha. “O ideal é que houvesse linhas de crédito mais barata e menos burocráticas para financiar a produção dos parceiros (produtores que criam camarão e vendem para a indústria)”, acrescenta o diretor industrial da Netuno, Hugo Campos.
A reclamação é tanta que empresários chegam a culpar o Governo Federal pela alta na taxação do produto brasileiro vendido para os países europeus, a partir de janeiro do próximo ano. Dizem que faltou diplomacia ou mesmo lobby.
A aumento dos 4,3% atuais para os 9% anunciados vai encarecer o produto nacional e fazer com que ele chegue lá com preço superior ao dos concorrentes. Peru, Equador e Colômbia, por exemplo, continuarão com a taxação de apenas 3,8% sobre o camarão exportado para a Europa. Todos esses países, inclusive o Brasil, têm hoje uma tarifa diferenciada, abaixo dos 12% instituídos. “O Brasil tem que pressionar porque isso vai inviabilizar nosso negócio”, diz o diretor industrial da Netuno.
O coordenador da plataforma tecnológica e cultivo de camarão do Ministério da Agricultura, Raul Madrid, se justifica. Ele diz que o aumento na taxação é uma decisão da Europa e que, mesmo assim, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, reuniu-se com um representante da União Européia para tratar do assunto na semana retrasada. Até agora, não há resposta.
“Esse setor tem grupos muito fortes e geralmente não precisa de intervenção do Governo. Mas, realmente, o Governo faz muito pouco”, diz o secretário adjunto de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco, Gabriel Alves Maciel.