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A teoria de Fukuyama sobre um tal de fim da história parece a cada dia mais desmoralizada. Segundo essa teoria, após o colapso do império soviético, o liberalismo, o capitalismo, as concepções da civilização ocidental, estariam definitivamente implantados no mundo, sem contestação possível. O que aconteceu de fato foi que, mesmo com o fim da Guerra Fria, persistiram as polarizações e confrontos, uma vez que a globalização de mão única (só em proveito dos países ricos) não trouxe a todos a prosperidade prometida. Tanto que hoje, até um ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, em conferência para executivos em Washington, afirma que o fenômeno do terrorismo é alimentado pelas desigualdades econômicas, pela pobreza e pela ausência de democracia; e que seu país precisa enfrentar essas questões. Linguagem bem diferente da belicosidade de setores do governo americano. De que adianta um Tomahawk contra um terrorista kamikaze, contra a disseminação sorrateira de bactérias? Pode-se constatar que está em gestação um processo de mudança no procedimento das potências mundiais, dos países desenvolvidos, em relação aos países e povos relegados à periferia da economia globalizada. O presidente americano George W. Bush e o primeiro-ministro britânico Tony Blair já falam na criação de um Estado palestino, para tentar aplacar árabes radicais e muçulmanos em geral; e amarram alianças mais amplas. É que as conseqüências do terrorismo de escala estão sendo muito ruins para a economia dos EUA e de todo o mundo. Os mercados se retraem, aumenta o desemprego; e agora esses fantasmas assombram também os EUA, a União Européia, não apenas os países subdesenvolvidos ou emergentes. Acabar definitivamente com guerras, desigualdades, exploração neocolonial, terrorismo, pode ser uma utopia; mesmo porque os interesses que seriam contrariados com isso são imensos e muito fortes (caso da indústria bélica). Mas, tentar uma globalização que seja boa para todos talvez seja uma saída inteligente. Os países desenvolvidos, que ditam as regras da política e da economia, poderiam criar condições para que outros países, que não são sócios do seleto e exclusivo clube dos ricos, se libertassem de dívidas externas só pagáveis com a eternização da miséria da maioria, e também gozassem de nem que seja um pouco de desenvolvimento. O fim da história com o pensamento único encheu as cabeças de promessas de um novo mundo, livre do equilíbrio do terror nuclear (EUA-URSS), da bipolarização. Um mundo multipolar democrático e próspero foi trombeteado à exaustão, que incluía não só EUA, Rússia, Japão, União Européia, mas também os países periféricos da América Latina, da Ásia e da África. O escritor mexicano Carlos Fuentes observa sobre o não-cumprimento dessas promessas: Quão distante, quão saudoso, nos parece hoje esse universo do equilíbrio nuclear, à luz dos terríveis acontecimentos de 11 de setembro deste ano. Algo está em gestação
no sentido de uma nova legalidade mundial para a
realidade que vivemos devido à falácia daquelas
promessas e à explosão do terror. Além da busca de
paz já na Terra Santa, dificultada pelo
assassinato de um ministro israelense, surgem nos EUA, na
Europa, vozes que pregam mudanças no relacionamento
entre os países desenvolvidos, sobretudo a potência
hegemônica (EUA), e aqueles que sofrem o que Bill
Clinton descrevia dramaticamente, na Assembléia Geral da
ONU de 1999: mais de um bilhão de seres humanos vivem
com menos de um dólar por dia; a cada ano, 40 milhões
de homens, mulheres e crianças morrem de fome. Fuentes,
Hobsbawm e outros intelectuais do mundo inteiro insistem
em que todos os países dominantes, inclusive os EUA,
devem encarar suas obrigações internacionais para dar
rosto e essa nova legalidade para uma nova realidade;
respeitando tratados internacionais, globalizando a
prosperidade, a democracia. |
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