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Quando comprar vira uma brincadeira
Supermercados apostam em serviços diferenciados, como minicarrinhos, seções infantis e recreadoras, para garantir a fidelização das crianças e, conseqüentemente, aumentar as vendas
por SIMONE GOUVEIA
A cena é quase clássica. Nas prateleiras dos supermercados, os produtos voltados para o público infantil encantam e desfilam diante dos olhos suplicantes das crianças, que, entre um puxão e um pedido - às vezes até uma ordem –, fazem da feira da casa uma verdadeira maratona. E, no final do duelo entre pais e filhos, ganha quem é mais paciente ou mais persuasivo.
Não dá para contestar. As crianças exercem sim uma grande influência sobre os pais na hora da compra. Dados da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes) apontam que 15% do que a família leva para casa têm o ‘dedinho’ dos pequenos. “Em alguns produtos, essa influência é bastante clara, como nos biscoitos, salgadinhos e achocolatados”, ressalta o presidente da Apes, Geraldo José da Silva.
É por esse motivo que fabricantes e fornecedores apostam na vontade dos pequenos para incrementar o seu negócio. Afinal, estamos falando de um segmento da economia que movimenta cerca de R$ 68 bilhões por ano. Ou seja, 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do País é gerado pelo setor supermercadista, segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
Para alavancar as vendas e encantar os consumidores mirins vale tudo, principalmente usar a comunicação certa. O recado é dado através de produtos ilustrados por personagens, conhecidos ou criados exclusivamente para chamar a atenção, embalagens e rótulos coloridos, surpresas, brindes, bonecos, joguinhos e figurinhas para colecionar, entre outros tantos encantos.
“Quando levo os meus filhos para o supermercado é uma loucura. Eles ficam fascinados com a seção de laticínios e querem levar vários iogurtes diferentes, principalmente os que trazem os personagens dos desenhos no rótulo”, diz a procuradora federal Mônica Henriques, mãe de Daniel, 7 anos, e Victor, 3. Quando a compra da semana é feita a três, a confusão está armada. “Eles ficam colocando produtos no carrinho sem eu perceber. Fazem o tipo ‘se colar, colou’. Como noto a armação dos meninos, tiro a maioria das guloseimas.”
O que acontece com a família da advogada é a maior prova de que estimular o consumo nas crianças desde cedo é uma receita de sucesso. Dica seguida à risca pelo Grupo Pão de Açúcar, que tem entre os seus objetivos cativar e fidelizar os pequenos consumidores. Prova disso foi a aquisição de minicarrinhos projetados especialmente para eles. A idéia era uma só: estimular a participação da gurizada nas compras. Estratégia praticada hoje de olho na formação dos consumidores dos próximos anos.
“Partimos do princípio de que a criança é o cliente de amanhã. Por isso, investimos em novos serviços e tecnologias para que esse público goste do ambiente e queira voltar sempre”, justifica o diretor regional em Pernambuco, José Pessoa de Albuquerque.
Outra estratégia adotada pelos supermercados é a realização de promoções e ações desenvolvidas em parceria com fornecedores, visando atrair mais público e, conseqüentemente, impulsionar as vendas. Como o Carrefour, que regularmente instala no estacionamento da loja pula-pulas, cama elástica, kart, parquinhos e piscina de bolas, entre outras brincadeiras que deixam os pimpolhos simplesmente eufóricos. “Ações desse tipo fazem parte da nossa meta de fidelização de público. Satisfeitas, as crianças pedem para voltar ao supermercado, o que geralmente acontece”, comemora o diretor do Carrefour Recife, Mário Barbosa Arruda.
Atividades especiais voltadas para as crianças normalmente acontecem na Páscoa, Férias, Dia das Crianças e Natal. Quase sempre, acompanhadas por um bom incremento nas vendas. Para dar suporte à movimentação gerada pela proximidade do Dia das Crianças, os supermercados reforçam o estoque de brinquedos e jogos. O Bompreço, por exemplo, está comercializando 1,1 mil brinquedos, dos quais 700 são lançamentos. “Estamos projetando um aumento de 10% nas vendas em comparação ao mesmo período do ano passado”, adianta o gerente de Relações com a Comunidade, Raymundo de Almeida.
Nos corredores dos hipermercados do grupo, oficinas de maquiagem, teatro de bonecos, degustação de guloseimas, recreadoras, palhaços e mágicos fazem a festa da criançada e mostram as novidades nas prateleiras. Com tanta brincadeira, brinquedos e guloseimas ao alcançe da mão, um conselho aos pais: segurem o bolso!
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