LG_jc.gif (3670 bytes)

A disputa pela TV por assinatura

A situação complica quando a TV tem que ser dividida por mais de uma criança. A família Roma conhece bem esse problema, pois vivem num mesmo prédio primos, tios e avós. A primeira TV por assinatura da turminha foi instalada no apartamento dos avós, há mais de dois anos. “Era uma forma de chamar os netos para passar as tardes lá, vendo cartoons”, lembra a empresária Clarisse Roma, mãe de Pedro, 6 anos, e João, 4.

Foi aí que o filho mais velho teve o estalo, logo apoiado pelo menor: “Mãe, por que a gente não coloca a TV daqui de casa igual a do vovô?”. E o mundo da TV por assinatura chegou à televisão de Clarisse. Mesmo achando que os dois não foram decisivos para a instalação da TV, Clarisse admite que sofreu pressão dos pequenos. Desde então, eles têm as manhãs livres e podem ver TV até às 20h. “Depois disso, a televisão é dos adultos”, lembra Clarisse, avisando que vai instalar outro ponto no quarto dos filhos.

Durante o dia é uma enxurrada de Fox Kids. Às vezes, o controle passeia por outros canais semelhantes, mas com a presença de adultos, eles são incentivados a ver programas educativos, sejam documentários no Animal Planet, Discovery Channel ou National Geographic, ou quem sabe até alguma reportagem “desde que recomendada para a idade deles”, alerta Clarisse.

Quando, porém, os dois pequenos se juntam à priminha Júlia, de 8 anos, no apartamento dos avós, a confusão está armada. Como uma forma de chamar a atenção, começa a batalha pelo controle remoto: ela quer ver As Meninas Superpoderosas, enquanto os garotos, querem assistir desenhos japoneses.

OS PEQUENOS MANDAM – Na casa de Iago e Igor Dantas (7 e 5 anos) quem monopoliza a TV são os pequenos. Os dois têm um horário apertadinho para conferir os programas: das 20 às 22h, já que estudam à tarde e têm as manhãs preenchidas pelo inglês e futebol. O que acontece é, no mínimo, curioso: durante as duas horas sagradas, eles se apossam da TV por assinatura na sala e ‘empurram’ o casal de analistas Adriana Dantas, 34, e Gileno Ferraz, 36, para ver televisão aberta no quarto.

Iago e Igor se deliciam com Digimon, Dragon Ball Z, A Vaca e o Frango e equivalentes, enquanto os pais sofrem as agruras da televisão aberta, de castigo. Só estão livres da masmorra às 22h, quando acaba o reinado da criançada.

Casos assim, fazem refletir em até que ponto pode ser conferida a autonomia perante a TV pelos pequenos. O certo é que a total liberdade, se é uma dádiva, também funciona como uma bomba. É como se diz nos canais de experiências para crianças: “Queridos, não tentem repetir isso em casa”. (D.B)

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 12.10.2001
Sexta-feira