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TAE KWON-DO
Aos 8 anos, Danilo já é um faixa-preta

Garoto pernambucano é o faixa-preta mais novo da América do Sul e vem ganhando medalhas a cada disputa para o tae kwon-do estadual

por THIAGO PAULINO

O mais novo faixa-preta de tae kwon-do da América do Sul quase não fala sobre seu esporte quando está conversando com os colegas de colégio. Isso, no entanto, não significa que seja um menino quieto. O pernambucano Danilo Malaguêta, 8 anos, é apenas humilde, qualidade e preceito básico de qualquer bom lutador de arte marcial. “Nós costumamos ensinar que você só deve mostrar o tae kown-do, no lugar adequado, que são as competições, treinos e apresentações”, afirma o mestre Denys Wanderley, professor do garoto e presidente da Federação Pernambucana de Tae Kown-do.

Numa tarde ensolarada de domingo, os mestres Wladimir, mais conhecido como Vavá, e Denys fizeram o que pode ser considerado um dos mais difíceis testes com Danilo: o da mudança para a faixa preta. No final veio a consagração. “A média que ele conseguiu é considerada muito boa e difícil de ser obtida em avaliações desse tipo. De cada cinqüenta atletas, dois ou três atingem essa média”, explica o presidente da federação. Danilo, que atingiu a média de 6,7, foi avaliado na parte teórica – filosofia e história – do tae kwon-do, movimentos de defesa pessoal, quebramento e luta.

HISTÓRIA – Praticando tae kown-do desde os cinco anos, Danilo é considerado um prodígio na arte marcial, pois apesar da idade, já orienta alguns alunos na academia onde treina. O pai, Luiz Malaguêta, não consegue disfarçar o sentimento ‘coruja’. “Ele serve de exemplo para muitas outras crianças que também tiveram o mesmo problema na infância”, disse, explicando a razão pela qual colocou Danilo para praticar uma arte marcial: “Controlar sua agressividade”. Agressividade esta, que não é muito comum na idade que o garoto tinha.

O pai de Danilo conta que diariamente escutava reclamações de agressões do filho a colegas de classe. Seu principal alvo eram as meninas da escola. Um ano com esse problema e o foco de sua violência foi descoberto: o menino sofria maus tratos da babá, que costumava agredi-lo com pancadas na cabeça. O local escolhido pela doméstica era pelo fato de não deixar marcas que comprovassem suas maldades. “Denunciamos a babá criminosa. Daí por diante é que conhecemos uma verdadeira via-crúcis para salvar nosso filho desse trauma horrível”, afirma Luiz. “Descobrimos por acaso. A empregada de minha mãe viu nossa babá agredindo Danilo e, para ficar calada, sofreu várias ameaças. Num determinado dia ela não agüentou ver o sofrimento de Danilo e resolveu falar”, relatou a mãe do garoto, Izabel Cristina.

SOLUÇÃO – Ao caminhar pelas ruas do bairro em que mora com um amigo, Luiz Malaguêta viu a propaganda de uma academia de tae kwon-do. Resolveu ir até lá, onde conversou com o professor, que pediu para que ele levasse o menino para ser avaliado. O mestre Harlan Barcelos foi o encarregado de descobrir o potencial da criança.

Danilo é tido como uma das grandes promessas do esporte. Bicampeão pernambucano e atual campeão norte-nordeste, Danilo estreou no Brasil Open, disputado no último fim de semana, em Londrina (PR). Esse campeonato vem sendo considerado um dos mais importantes do País, e Danilo foi o único atleta da delegação a obter o primeiro lugar nas duas modalidades da competição nas lutas e no Poon-Se (apresentação das seqüências de golpes onde luta-se com um inimigo imaginário).

Como a maioria dos atletas de esporte amador, Danilo também sofre com a questão do patrocínio. “Mas isso não vai baixar nossa cabeça e sei que um dia alguém poderá nos dar uma força”, acredita Luiz.

Todavia, a grande vitória de Danilo está fora das quatro linhas da área de luta. O pequeno Malaguêta é um aluno exemplar e há muito tempo deixou de bater nas colegas. “Além de perceber que em mulher não se bate, ele melhorou muito o comportamento na escola e já foi laureado duas vezes”, explica o pai.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo