Nem só moda e tendências foram os assuntos em pauta na Fenatec. A feira também foi palco para discussões sobre tecnologia e inovações no setor da indústria têxtil. Uma das novidades foi apresentada pela Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), com o lançamento do projeto Censo Antropométrico Brasileiro. Trata-se de um mapeamento para definir medidas e dimensões do corpo dos brasileiros, que vão balizar a qualificação do setor têxtil do País.
De acordo com o presidente da Abravest, Roberto Chadad, a iniciativa é a solução para um problema que já vem se arrastando há anos: a falta de padronização de medidas na indústria brasileira. “Não é à tôa que muita gente prefere comprar roupas importadas por que têm um padrão de tamanho bem definido. No exterior, uma marca que já faz isso são os jeans Levi´s”, diz.
A base de dados será coletada por meio de um body scanner tridimensional de última geração, recentemente apresentado na Alemanha, provavelmente em parceria com a Universidade de São Paulo (USP). O equipamento é capaz de coletar 46 medidas da cabeça aos pés em aproximadamente 6 segundos. Os dados para a medição foram fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que será parceiro da Abravest na medição. A operação deve ser feita em capitais e cidades do interior de todo o País, envolvendo pouco mais de 12 mil pessoas, entre homens, mulheres e crianças.
Os perfis serão traçados considerando-se as diferenças regionais, a mistura de raças e os diferentes biótipos do País. “Será uma grande revolução no mercado têxtil brasileiro. Cada consumidor terá uma carteirinha com identificação das medidas. Isso vai acabar com a confusão na hora de comprar roupas”, completa Chadad.
Apesar de ainda não ter começado na prática, o censo antropométrico já faz sucesso em outros segmentos da indústria. Outras áreas do setor têxtil (como cama, mesa e banho) e os setores moveleiro, de calçados, automobilístico e da construção civil já estão de olho nessa nova tecnologia e também pretendem padronizar seus produtos. De acordo com Chadad, o mapeamento de medidas deve estar pronto dentro de dois anos. (J.N.)