Por excesso de tarefas, problemas familiares ou tendência genética, a dor de cabeça atormenta também crianças e adolescentes
por LUCIANA TEIXEIRA
Quem nunca sentiu aquela dorzinha incomoda na cabeça que insiste em vir nas horas mais inadequadas? A “famosa” cavilha, mais conhecida como dor de cabeça, é vivenciada por boa parte dos seres humanos. Mas o que poucos sabem é que as crianças também costumam ser atormentadas por esse sintoma.
Segundo a neurologista infantil do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), Adélia Henriques, a cefaléia é fruto de um fenômeno vascular no cérebro. Uma série de substâncias são liberadas ao mesmo tempo, ocasionando uma dilatação dos vasos sanguíneos e a sensação latejante.
Ao todo, são mais de cem tipos de dor de cabeça. A mais freqüente na infância é a enxaqueca que atinge de 2,5% a 4,5% das crianças em idade escolar. Geralmente, o quadro apresentado é o mesmo: dores de cabeça, de caráter latejante, em apenas um lado, com duração de algumas horas, náuseas ou vômitos e deve melhorar com repouso. Depois de verificar que esses sintomas não fazem parte de uma doença específica, é comprovada a enxaqueca. “Quem possui parentes com esse tipo de dor tem uma tendência maior para tê-la”, declara Adélia.
Quando um adulto está com cefaléia é comum ele ver uma luz, estrelas ou até mesmo enxergar as imagens distorcidas. Essa característica é conhecida como aura, mas não é freqüente entre as crianças.
Os bebês também podem ter sintomas que no futuro causem a doença. “Muitas crianças têm dores abdominais e vomitam constantemente sem estar com uma doença específica. Na verdade, eles estão enquadrados no equivalente enxaquecoso e no futuro irão desenvolver a enxaqueca”, explica a neurologista.
Não existe uma causa específica para desencadear a doença. Há fatores deflagradores que podem gerar a enxaqueca, como esforço físico, alimentação, estresse, ansiedade e fome. Mas não se pode determinar o motivo concreto.
Hoje, a tensão é uma das principais causas da enxaqueca infantil. Tendo que dar conta de várias atividades ao longo do dia, a criança fica estressada e conseqüentemente, passa a ter a dor de cabeça. “Ultimamente os pais estão preenchendo o dia dos filhos para substituir a falta deles em casa”, afirma Adélia. Outra causa comum das dores de cabeça é a separação dos pais. “Morar apenas com a mãe ou com o pai também é um fator de muita relevância na angústia e na ansiedade das crianças”, afirma.
Normalmente, a enxaqueca interfere no dia-a-dia da criança. Com dor de cabeça, ela não consegue fazer suas atividades. Alguns tipos da doença podem até deixar a criança, em um curto espaço de tempo, sem enxergar ou mover os membros. “Assim que for diagnosticada a doença, é imprescindível ter um acompanhamento médico”, alerta Adélia.
TRATAMENTO - Para fazer com que a criança não sinta mais as dores de cabeça são adotados dois tipos de tratamento: o agudo e o profilático. O primeiro é à base de analgésicos. Assim que os sintomas começam a surgir, a criança ingere a medicação. O efeito é imediato. Já no profilático, o tratamento é bem mais longo. Primeiro, a família faz uma agenda especificando o cotidiano do paciente durante 30 dias: quantas vezes a cefaléia apareceu, se interferiu ou não nas atividades dela, quais foram os principais sintomas, se foi necessário tomar algum tipo de medicação. Todos esses itens devem estar anotados corretamente para que o médico indique o melhor tratamento para o caso. Após analisar o quadro de cada criança, é passada uma medicação específica para ser tomada diariamente. Depois de seis meses, é avaliado se houve ou não uma diminuição na freqüência das crises ou até se o caso desapareceu.