O que é o câncer do sistema nervoso central?
O câncer do sistema nervoso central (tumor de cérebro e medula espinhal) é o segundo tipo de câncer mais freqüente nas crianças. Tem início a partir de um conjunto de "células" que eram normais originalmente, e sem razão aparente, começaram a se dividir, formando um tumor que continua crescendo na medida em que as células se dividem. Uma vez que o crânio tem espaço físico limitado, o tumor começa a fazer pressão nas outras partes do cérebro atrapalhando o seu funcionamento. A maioria dos tumores de cérebro em criança envolve a parte do cérebro conhecido como “cerebelo”, e apenas um terço ocorre na parte chamada de “área supratentorial” ou parte superior do cérebro. Os adultos tendem a desenvolver tumores cerebrais em outras partes do cérebro, usualmente nos hemisférios cerebrais. Os tumores da medula espinhal são menos freqüentes do que os cerebrais, tanto em crianças como em adultos.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas são menos claros em crianças do que em adultos. Nosso cérebro é “encapsulado” num líquido conhecido como líquido cérebro-espinhal, que é fabricado pela parte interna do próprio cérebro e que flui pela medula espinhal e volta ao topo do cérebro. Em crianças, o tumor, especialmente no cerebelo, tende a bloquear a corrente normal deste líquido, podendo causar diversos sintomas, tais como: vômitos (usualmente de manhã e sem náuseas); dor de cabeça; visão dupla ou incapacidade de focar um objeto; cabeça tendendo para um dos lados; tamanho aumentado da cabeça (hidrocefalia); pupilas de tamanhos diferentes; falta de equilíbrio; fraqueza; coordenação motora diminuída; fadiga; irritabilidade; mudança no sorriso (tende a ficar "torto"); e babar-se.
Quando o tumor cresce na parte supratentorial do cérebro, a criança pode ter, ainda, convulsões; desempenho diminuído na escola; mudança de comportamento; e problemas envolvendo bexiga ou intestino (retenção urinária, constipação intestinal).
Todos os tumores de cérebro são idênticos?
Não. Existem mais de cem tipos diferentes de tumores de cérebro e eles se apresentam diferentemente ao exame microscópico. Tumores de cérebro que se desenvolvem em diferentes partes do cérebro causam diferentes sintomas. Alguns se desenvolvem rapidamente e outros mais lentamente. Alguns têm a cor bege, outros podem ser amarelos, cinzentos, vermelhos, de cor púrpura ou até uma mistura de cores. O cérebro, em si, tem a cor branca. Também, alguns formam cistos (bolsas de líquido) e outros têm uma textura mais firme ou mais mole do que o próprio cérebro. Tudo isso, felizmente, facilita o cirurgião no ato da sua remoção.
Qual é a melhor forma de diagnóstico?
A forma de diagnóstico mais apurada de um tumor cerebral é feita com cirurgia, que permite ao neurocirurgião observar o tumor e obter uma amostra para exame patológico. A cirurgia diagnóstica tem os seus riscos porém, e hoje existem algumas alternativas que melhoraram muito o diagnóstico de tumores de cérebro sem cirurgia. Se os sintomas do paciente levam o médico a suspeitar de um tumor de cérebro, então um exame neurológico, como tomografia computadorizada e ressonância magnética são as primeiras ferramentas mais freqüentemente utilizadas para determinar se outros procedimentos são necessários. Outros estudos, como realização de imagens radiológicas da cabeça e crânio, eletroencefalograma ou um exame radioisótopo do cérebro podem também ser realizados.
Qual é o tratamento mais indicado?
Opções de tratamento incluem cirurgia, colocação de catéter para ajudar a drenar o excesso do fluido cerebroespinhal, radioterapia e quimioterapia. A finalidade da cirurgia é a realização da biópsia do tumor, a fim de determinar o seu tipo e remover o máximo possível dele sem risco de danificar outras partes importantes do cérebro. Nos casos em que a remoção do tumor apresenta risco demasiado para a criança, a radioterapia e/ou a quimioterapia podem se tornar o tratamento primário. Nos casos em que o tumor apresenta desenvolvimento lento, a equipe médica pode optar por protelar a cirurgia e acompanhar o seu desenvolvimento por tomografias freqüentes, visando monitorar o seu crescimento.
A utilização de cateteres tem a finalidade de facilitar a drenagem do excesso do líquido cerebroespinhal bloqueado pelo tumor. O cateter leva o fluido dos ventrículos ao peritônio (abdômen), onde é eliminado. O uso do cateter pode ser indicado antes ou após a remoção do tumor.
O tratamento por radioterapia pode ser indicado sozinho ou em combinação com outras terapias. Pode ser prescrito após a cirurgia para atacar as células que não podiam ser removidas seguramente por cirurgia. Pode ser também administrada em conjunto com certas drogas quimioterápicas. O desafio da radioterapia é sua utilização com o mínimo de danos às células sadias e o máximo de danos às células do tumor.
Quimioterapia envolve a utilização de drogas que danificam rapidamente as células em crescimento no tumor do cérebro. Os tumores que se desenvolvem lentamente normalmente são resistentes à quimioterapia. A maioria das drogas é ministrada por via intravenosa ou oralmente. Os efeitos das drogas nos tumores são medidos por exames de ressonância magnética. O efeito nas células sadias é medida por exames sangüíneos regulares.
Por que as crianças normalmente perdem o cabelo quando estão sujeitas à quimioterapia?
A quimioterapia evita a divisão e crescimento das células, incluindo as células do cabelo. Enquanto o paciente está em curso de quimioterapia ocorre inibição da divisão das células do couro cabeludo. Quando o tratamento termina, seu cabelo volta a crescer de maneira gradual, mas pode ser com uma cor ou uma textura diferente da original.
Um tumor de cérebro pode voltar após a cirurgia?
Sim, o tumor pode voltar após ser removido. Alguns tipos são mais fáceis de voltar do que outros. Estes tumores que voltam são, usualmente, tratados com radioterapia e/ou quimioterapia em conjunto com cirurgia. Por isso, é importante repetir os exames de tomografia ou ressonância magnética após a cirurgia, a fim de que o tumor recidivado possa ser tratado antes de debilitar o paciente.
Fonte:
American Brain Tumor Association. http://www.abta.org/kids/ e National Brain Tumor Foundation. http://www.braintumor.org Departamento de Controle e Prevenção: Dr. Jaime de Queiroz Lima, médico-chefe do Departamento/Dr.James Anthony Falk, Ph.D., assessor do Grupo de Pesquisa/Dr. Carlos Leite, médico colaborador do DCP
Contato: (81) 3423.2088 ramal 188 - Isabel Melo/Jacqueline Tavares
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