O homem fraco
O psicanalista José Renato Avzaradel, que foi colega de Miguel Paiva no Colégio de Aplicação durante a adolescência, diz que a cultura, ao radicalizar os traços masculinos, leva o homem a considerar a sensibilidade, a afetividade e a emoção como características que devem ser evitadas. O homem retira de sua vida emocional possibilidades de realizações mais profundas. Seu mundo interno se empobrece e a existência se torna superficial.
Bloqueio afetivo
Outra forma, mais sofisticada, de bloquear a afetividade é a hipervalorização dos aspectos intelectuais, segundo Avzaradel. Neste contexto, homens e mulheres colocam a afetividade em segundo plano. Para ele, o movimento de Miguel Paiva para encontrar a afetividade, em si e no homem, expressa a necessidade de superar o drama do Gatão da Meia-idade, encontrando na possibilidade de viver as emoções e os afetos a perspectiva de uma vida mais plena e profunda.
Diferenças sexuais
José Renato Avzaradel explica que a mulher, com o seu poder de gerar vida, possui órgãos internos com intensos significados emocionais. Há uma valorização maior das questões internas e da afetividade. O homem, com a sua genitalidade externa, tende a conduzir sua vida através de ações e de movimentos para fora. Há um distanciamento das emoções e dos sentimentos. Para o psicanalista Nahman Armony, esses aspectos foram exacerbados pela cultura patriarcal dos últimos séculos, mas há 30 anos começaram a ser modificados.
Nostalgia feminina
Para Nahman, a mulher deseja que o feminino do homem venha à tona, mas tem nostalgia do tempo do cavalheirismo, em que era tratada como rainha, sem lembrar que esse tratamento tinha embutida a idéia da infantilidade da mulher.