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GUERRA AO TERROR II
Exame negativo para antraz

Brasil respira aliviado diante do resultado da análise feita pela Fiocruz: a carta enviada ao escritório do jornal The New York Times, no Rio, não está contaminada pela bactéria do antraz

RIO – O ministro da Saúde, José Serra, garantiu ontem que a carta enviada ao escritório do jornal The New York Times, em Ipanema, não está contaminada pela bactéria antraz. O resultado do exame de amostras da carta, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), descartou o risco de antraz. A carta fora enviada dos Estados Unidos, em 5 de outubro, ao correspondente do New York Times no Rio, Larry Rother, e considerada suspeita porque não tinha remetente.

O presidente da Fiocruz, Paulo Buss, negou que a instituição tenha dito ao jornal americano que havia presença de esporos compatíveis com o antraz na carta. O primeiro exame deu positivo em relação à presença de bactérias, mas a cultura, concluída às 9h30m de ontem, deu negativo em relação ao antraz. Buss disse que a presença de bactérias nas amostras já é esperada e não constitui sinal da presença do antraz. “Bactérias são extremamente comuns em qualquer ambiente”, lembrou.

Ele acrescentou, no entanto, que somente amanhã poderá informar qual a espécie de bactéria presente na carta. Segundo Buss, o micróbio deve ser apenas um contaminante ambiental, ou seja, um germe que é encontrado em vários lugares, como o ar e a pele de seres humanos. Esse tipo de germe, segundo ele, não representa riscos para ninguém: “Vou precisar de mais 48 horas para poder dizer com certeza que tipo de bacilo é esse mas, com certeza, não é antraz e estou muito satisfeito em poder dizer isso. Posso garantir que, por enquanto, o bacilo antraz não chegou ao Brasil”, garantiu.

Paulo Buss informou ainda que a Fiocruz já recebeu cerca de 60 amostras, a maioria do Rio. Somente ontem, 25 foram encaminhadas ao laboratório. O resultado das amostras analisadas até agora, entre 12 e 15, deu negativo para a presença de antraz: “As pessoas têm que nos ajudar. Estamos gastando material, dinheiro, ocupando pesquisadores, laboratórios, enfim, tendo muito trabalho à toa, por causa destes bioengraçadinhos, biobabacas”, disse Paulo Buss.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo