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GUERRA AO TERROR VII
Mito da objetividade jornalística
foi destruído, diz professor da UFPE
Depois desta guerra, a sociedade ficou menos ingênua quanto à visão de independência e imparcialidade das empresas jornalísticas. A opinião do professor do Programa de Mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, Paulo Cunha, é apoiada numa constatação: diante da postura da mídia norte-americana, o mito da objetividade da imprensa caiu definitivamente por terra. Cunha acredita que, a partir de agora, a mídia passa a ser vista de forma muito vinculada ao poder, alinhado a ele, e não mais como uma instância paralela.
Embora chame atenção para o fato de que a CNN não representa um bloco homogêneo do que é a imprensa norte-americana, o professor afirma que a atitude da principal rede de TV dos EUA é emblemática. “Ficou muito claro que as relações são bem mais delicadas do que a imprensa costuma mostrar. Essa exposição, ao meu ver, é positiva porque as pessoas passam a ter uma leitura da mídia mais próxima da realidade”, observa.
Paulo Cunha destaca que o atual conflito reforça uma mudança no padrão das imagens produzidas pela guerra. As fotos das trincheiras e das vítimas foram substituídas por imagens hipertecnológicas, que beiram o irreal. “As televisões ficam mostrando aqueles clarões no céu, quase indecifráveis. Isso provoca um certo distanciamento do conflito real”. De fato, é mais fácil conviver com uma guerra onde, no lugar dos corpos, sobretudo os dos inocentes, o que aparecem são imagens que mais lembram um jogo de video game.
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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001 Domingo
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