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No Pé da Conversa
Lenivaldo Aragão

Malandro grandalhão

Do livro ‘Na Boca do Túnel’, em que o potiguar Maeterlinck Rêgo Mendes, conta casos vividos e colhidos por ele, como médico do América de Natal, retiro, com o consentimento do autor, é claro, mais uma história.

O personagem é o grandalhão Alcino, que durante muito tempo foi ídolo no futebol paraense, defendendo o Clube do Remo, e que terminou dando com os costados no Santa Cruz. Vale salientar que Alcino jogou também no América potiguar, o clube onde Maeterlinck dá as cartas, e que, aliás, está isolado como vice-líder do Campeonato Brasileiro da Série B, dois pontos atrás do Paysandu, de Givanildo Oliveira, e um à frente do Náutico e do CRB.

Mas vamos a Alcino, que esteve vários anos por cima, na terra do tacacá, com os gols que fazia, vestindo a camisa do Leão Azul. Era tamanho o cartaz de Alcino, que ele chegava a colocar na rampa que dava acesso ao campo de treinamento seu automóvel para ficar assistindo ao treino quando por esse ou aquele motivo estava fora de atividade.

Quem acompanha o futebol há algum tempo lembra-se do envolvimento de Alcino – pelo menos era o que os jornais noticiavam – com um grupo de puxadores de carro, chegando o atacante a ter alguns problemas com a Justiça. Por causa do prestígio de que desfrutava no Pará, Alcino terminava numa boa, porquanto, sempre aparecia alguém para quebrar seu galho.

Certa vez, o Remo veio ao Recife para enfrentar o Santa Cruz pelo Campeonato Brasileiro. Era no tempo em que o Santa se destacava no certame nacional, ao contrário do que acontece atualmente.

Com o Arruda lotado, a torcida tricolor não perdoou e procurava pegar no pé do atacante. A cada momento em que Alcino tocava na bola, vinha das arquibancadas o coro de “ladrão, ladrão!”

Em determinada jogada, o juiz marcou um impedimento do agigantado centroavante do Remo, e a tricolada não deixou por menos: “Ladrão, ladrão”!

Alcino fez que não era com ele e dirigiu-se ao juiz: “O senhor está bem com a massa aqui no Recife”.

O árbitro mostrou que estava muito por dentro das broncas de Alcino e respondeu: “Você sabe com quem a torcida está gritando, vá tratando de ficar na sua, pois se vier fazer palhaçada novamente vai levar o cartão vermelho”.

Daí em diante, até o fim do jogo, Alcino ouviu resignado o xingamento da torcida, sem procurar transferi-lo para o juiz.

Clássico é clássico

A obviedade da frase acima vem a propósito da importância que o Clássico das Multidões de hoje, na Ilha do Retiro, passou a ter. A par da necessidade que os dois times têm de uma vitória, que pelo menos lhes acene com a possibilidade de um futuro menos desanimador neste restante de Campeonato Brasileiro, surgiu um ingrediente bem apimentado para dar maior dimensão a esta edição do tradicional clássico, que já foi chamado de Fla-Flu pernambucano – vejam só que falta de criatividade. Esse ingrediente é Túlio, o goiano que se notabilizou pelos gols – já não saem com tanta freqüência, mas ele não deixa de ser ameaçador. Rubro-negro por um dia e logo em seguida tricolor, Túlio estará entre o ódio (rubro-negro) e o amor (tricolor). É ele o chamariz maior desse jogo em que até um empate será péssimo.

Varejo 1

“Ave Maria!” A expressão, com exclamação e tudo, é de Givanildo Oliveira, ao falar da campanha de Santa Cruz e Sport no Brasileirão. De longe, Givanildo, que jogou e treinou os dois, acompanha a dupla, com alguma preocupação, pois como pernambucano torce pelo sucesso de ambos. Quanto ao seu Paysandu – depois do empate de 1x1 com o ABC, em Natal, enfrenta hoje o Sergipe, em Aracaju –, Givanildo atribui o sucesso à continuidade do trabalho. “Estou lá há um ano e seis meses, assim tive tempo para trabalhar e organizar o time”. Por não nadar em dinheiro, o líder do Grupo A da Série B faz contratações modestas, mas proveitosas. Givanildo confia na classificação – são quatro de cada grupo que vão à segunda fase –, mas tem os pés no chão. “Ainda faremos nove jogos, e vários times, como Náutico, América, CRB e Ceará estão se aproximando.”

Varejo 2

Uma pelada diferente hoje, às 9h30, no CT do Náutico, na Guabiraba, envolvendo médicos que fazem transplantes e pacientes transplantados, como parte da Semana de Doação de Órgãos. O objetivo é conscientizar a população, quanto à importância da doação. A figura central será o ex-lateral Gena (Náutico e Santa Cruz ), um transplantado. ***** Um dirigente do Helsingborg, da Suécia, foi vítima de uma brincadeira de mau gosto com o antraz. Quinta-feira, antes do jogo contra o Ipswich Town, pela Copa da Uefa, em Londres, o diretor de Esportes do Helsingborg, Thomas Stenberg, encontrou sob a porta do seu quarto de hotel, um envelope com pó branco. Polícia em ação, após quatro horas de análise, descobriu-se que o pó era uma substância que, misturada à água, vira bebida energética. A polícia suspeita de que o trote partiu dos jogadores. E quem poderia ser, se não fossem eles?

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo