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Inaldo Sampaio Criador e criatura
Muito pouca gente hoje no Brasil compreende a política do Ceará. É um verdadeiro “samba-do-crioulo-doido”. Ciro Gomes é cria de Tasso, criatura que respeita o criador, porque foi eleito com o seu apoio prefeito da capital e depois governador. No plano local eles estão entendidos mas no plano nacional são adversários. Tasso, um dos históricos do PSDB, luta internamente no meio dos tucanos para ser o candidato do partido à presidência da República. Ciro, seu aliado de primeira hora, deixou o tucanato espinafrando FHC, filiou-se a um partido de oposição (PPS) e tornou-se o seu candidato ao Palácio do Planalto. Como é que uma aliança dessa pode dar certo?
Um dos dois sairá do páreo porque o Ceará é pequeno demais para comportar dois postulantes de uma mesma facção política à presidência da República. Enquanto o governador estava encolhido e não dizia a ninguém que era candidato, o projeto de Ciro florescia. Ganhou musculatura no Congresso e fora dele, bem como em vários Estados da federação, particularmente em Pernambuco.
Hoje, por mais que o senador Roberto Freire diga que a candidatura dele independente da de Tasso, custa crer nas suas palavras. Se Tasso perder a parada para Serra, tudo bem. Se não, Ciro será sacrificado. Não dá para vê-lo no confronto com Tasso.
Bala na agulha
Membros da cúpula do PFL prevêm um final nada feliz para o partido de Sílvio Costa (PSD): aliança entre as duas legendas para as eleições de 2002. Juram que já está tudo combinado entre Inocêncio Oliveira e o presidente nacional Nabi Abi Chedid (PSD-SP), e que se Sílvio Costa ficar contra haverá intervenção no diretório estadual. O vereador está “tranquilo” porque tem uma bala na agulha. “Se houver aliança imposta”, diz ele, “todos os nossos candidatos renunciarão”.
Prata da casa
O prefeito de Goiana, Edval Soares (PTB), não vai mais apoiar Carlos Rabelo (PSC) para a Assembléia Legislativa. Fechou com o seu secretário Nélson Pimentel, presidente municipal do PTB. Ele optou por uma “prata da casa” para poder enfrentar Beto Gadelha (PSL), porque se levasse para lá um “forasteiro” correria o risco de perder de goleada.
Disputa caseira
A cúpula do PMDB aguarda a “melhor hora” para poder comunicar a Hélio Urquisa que, se dependesse unicamente da vontade do partido, o candidato a deputado estadual por Olinda não seria mais ele e sim a ex-prefeita Jacilda Urquisa. Como são marido e mulher e estão casados há mais de 30 anos, com toda certeza se entenderão.
Serra jamais compreendeu o apoio de Covas
Em uma de suas visitas ao Recife, Serra confidenciou ao secretário Guilherme Robalinho (saúde) que nunca entendeu o apoio de Covas à candidatura de Tasso Jereissati. Mas, como cabrito bom não berra, não passou recibo.
Vice-governador dá cobertura ao opositor da Lapa
O capitão PM e futuro candidato a deputado, Gilberto Pires (PPB), adversário político e inimigo pessoal do líder Carlos Lapa (PSB), arranjou um padrinho forte no governo: o vice-governador Mendonça Filho.
Kombeiros 1
Começou a tramitar na Câmara Municipal o projeto de autoria de João Paulo (PT) disciplinando no âmbito do Recife o chamado “transporte alternativo”. Se for aprovado, kombis, peruas e veículos similares só poderão trafegar nas vias públicas que não são atendidas pelo “transporte convencional” (ônibus).
Kombeiros 2
O problema do disciplinamento do “transprte alternativo” no Recife é de dificílima solução e o prefeito João Paulo (PT) sabe disto. Pesquisa feita por encomenda da CNTT constatou números alarmantes: 76% da população prefere andar de kombi a andar de ônibus porque elas trafegam com mais velocidade.
Segundo o ex-deputado Eduardo Araújo (PSDB), se as previsões dos líderes de bancada na Assembléia Legislativa estiverem certas a Casa terá a partir de 2003 não mais 49 deputados e sim 72. Para ele, o resultado de 98 não serve para balizar o de 2002 porque a eleição do próximo será totalmente informatizada.
Recém filiado ao PMDB, o deputado estadual Lula Cabral (ex-PFL) permanece indeciso sobre o seu futuro. Tanto pode ser candidato à reeleição como também à Câmara Federal. Se o prefeito Elias Gomes (PPS) não lançar candidato a deputado federal ele topa enfentrar o desafio. Do contrário, será candidato a estadual.
Nos últimos 30 dias do “troca-troca”, a bancada do PT na Câmara ganhou três novos deputados: Pedro Eugênio (PE), Fernando Gabeira (RJ) e Flávio Arns (PR). Os dois primeiros foram comunistas e o terceiro da “esquerda católica” (sobrinho de D. Paulo). Elegeu-se pelo PSDB mas sempre votou com as oposições.
Inspirado em José Mendonça, que chefia um grupo forte no PFL, Inocêncio Oliveira terá no próximo ano seis candidatos a deputado estadual. Eles estão distribuídos por três partidos: José Marcos e Antonio Mariano (PFL-reeleição), Giovane Oliveira (PFL), Sebastião Oliveira Júnior (PSD), Eduardo Melo (PSD) e Vital Novaes (PSL).
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