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RUMO A 2002 II
Intenso ritmo de trabalho e muita dança partidária

Talvez seja o estilo de Fernando Bezerra, aliado à genética (leia-se sangue quente) dos Coelhos, o que melhor explica a inabilidade do prefeito nesses últimos dias. Bezerra sempre teve “rinha”, para usar uma expressão de quem convive há anos com ele. E tem história de liderar dissidências nos grupos que integra. A começar na própria família. Além de uma trajetória de saçarico partidário (veja quadro).

Dotado de extrema capacidade de trabalho e articulação política, “às vezes é sabido demais”, brinca um aliado. “E isso reduz as demais virtudes dele. É daqueles que exigem que as coisas aconteçam no seu ritmo. E, às vezes, esse ritmo é rápido demais”, pondera o mesmo aliado.

Formado em Administração, Bezerra segue para o exterior, logo após concluída a graduação, onde permanece por um ano. Retorna e, com o apoio do tio Nilo Coelho, conquista em 82 o mandato de deputado estadual pelo PDS. No PDS do então governador Roberto Magalhães, é escolhido para liderar a bancada do Governo na Assembléia e comandar a secretaria da intimidade do governador: a de Governo.

Em 83, com a morte do tio Nilo Coelho, aflora o racha econômico da família. O pai de Fernando, Paulo Coelho, rompe a sociedade. Explode o racha econômico e, depois, O político dos Coelhos.

Em 86, já no PMDB, Fernando se elege deputado federal. E ainda peemedebista conquista a Prefeitura de Petrolina em 92, num embate eleitoral com a família (do PFL), que lançou Henrique Cruz. Começa uma fase importante da vida do político-administrador Fernando Bezerra. Ele não se limita às adversidades políticas com o então governador Joaquim Francisco (PFL) e, com um mês de empossado, vai ao Palácio das Princesas firmar parcerias com o adversário.

Com as eleições de 94, Fernando deixa o PMDB e apóia Arraes (já no PSB) para governador. Em 96, deixa o comando de Petrolina e assume a Secretaria de Agricultura da gestão socialista, para, dois anos depois, disputar o Governo na vaga de vice de Arraes, que perde a eleição com uma diferença de mais de um milhão de votos.

Explode em 1999 o fenômeno Ciro Gomes e o PPS, partido do ex-ministro, vira a legenda menina dos olhos. Bezerra deixa então o PSB e se torna um pós-comunista, em mais um passo na direção do Palácio das Princesas.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.10.2001
Domingo