Declarações de Bezerra Coelho detonaram uma crise na esquerda e as mágoas foram colocadas para fora
A puxada de tapete que o prefeito Fernando Bezerra Coelho (PPS) deu no processo de composição da unidade das esquerdas não pode marcar o pós-comunista como o único a inviabilizar o palanque único de oposição ao Governo Jarbas Vasconcelos (PMDB). O episódio detonou uma seqüência de pipocos em todos os partidos. Principalmente no Partido dos Trabalhadores.
Lá de Brasília, o deputado federal Fernando Ferro (PT) desafiou o PPS a entregar os cargos que detém na Prefeitura do Recife. Ignorando, inclusive, um compromisso assumido pelo próprio prefeito João Paulo, de não mexer na equipe em detrimento da sucessão de 2002.
O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, um dos que deveriam estar no empenho único e exclusivo da unidade, antecipa-se a eleger o PT como potencial adversário dos pós-comunistas em 2002. E concorda que houve “assédio” dos petistas aos quadros do PPS.
O vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB) – convocado para apagar o incêndio –, faz uma analogia precisa que ilustra bem a embolada de meio de campo que os partidos de oposição transformaram o primeiríssimo tempo da partida sucessória de 2002.
Na comparação de Siqueira, o time das esquerdas é semelhante à Seleção Brasileira. “Nós temos o melhor elenco, só que cada atleta está jogando em um time no exterior. E a cartolagem não se entende para reunir a equipe em campo”, alerta Siqueira.
De fato, PT e PPS estão se alimentando de uma mesma estratégia (equivocada talvez), de que as candidaturas presidenciais – Luiz Inácio Lula da Silva (pelo PT) e Ciro Gomes (pelo PPS) – irão alavancar os projetos políticos locais das duas legendas.
“Presidente muito forte não transfere voto para o palanque local. É tolice pensar isso e acreditar que não depende da unidade de todos para ganhar a eleição. Pensar agora que pode lamber o mel sozinho, corre o risco de se lambuzar todo”, analisa um observador e integrante das oposições.
Para o PSB – que deve vigorar como o grande investimento tanto do PT quando do PPS na construção de seus palanques –, os partidos de esquerda precisam se reunir em torno de um eixo que reduza suas diferenças. Na voz do deputado federal Eduardo Campos, a legenda alerta: “Só ganha de Jarbas Vasconcelos a sociedade. Candidato isolado nenhum ganha essa eleição”. (A.L.A.)