Rendas, cerâmicas, esculturas em madeira que reproduzem imagens sacras e personagens populares. Assim é o rico artesanato de Sergipe
Nem só de belezas naturais vive o turismo sergipano. As manifestações populares também são grandes atrações para os visitantes. No artesanato, as técnicas de construção dos objetos são altamente primitivas, passadas de pai para filho. Esse tipo de trabalho manual exige paciência e dedicação de quem vem procurando conservar com as próprias mãos a cultura e as raízes de seu povo.
São famosos os artigos de renda irlandesa produzidos pelas mulheres sergipanas há mais de 100 anos. A técnica trazida pelas missionárias européias já foi uma grande fonte de sustento. Hoje, com o preço alto das linhas e a falta de incentivo, a atividade está cada vez mais restrita.
Os objetos de cerâmica também merecem destaque no artesanato local. Desde o preparo da matéria-prima até o acabamento final, o artista utiliza uma técnica secular, resistindo à “era da tecnologia”.
A palha é outro artigo facilmente encontrado no Norte e no Sul do Estado. Utilizada para fazer cestos, bolsas e chapéus, a fibra é retirada da própria vegetação da cidade.
Outra obra de arte de extrema importância no artesanato de Sergipe é a escultura em madeira. Reproduções de personagens nordestinos, de imagens sacras e de brinquedos decorativos são algumas das peças que podem ser vistas no acervo dos artistas.
Os artesãos sergipanos têm suas próprias características, deixando em suas obras os traços que perseguem a perfeição. Como é o caso de José Roberto de Freitas, o Beto Pezão, que ficou conhecido por retratar em suas esculturas de barro o povo do sertão nordestino com pés grandes. O artesão Cícero Alves dos Santos, o Véio, entrou para o Guiness Book por ter confeccionado a menor escultura em madeira do mundo.
Para apreciar as obras de todos esses artistas locais basta dar uma caminhada pelo centro histórico de Aracaju. O complexo de mercados, formado por três grandes centros comerciais, reúne um bom acervo dessas obras populares.
Os antigos mercados Antônio Franco, construído em 1926, e Thales Ferraz, inaugurado em 1949, foram recentemente recuperados conforme o projeto original e transformados em centros comercial e cultural, abrigando lojas de produtos artesanais e típicos da região, restaurantes e bares.
Junto aos antigos mercados foi construído o novo Mercado Municipal Albano Franco, completando, assim, o complexo que oferece num só lugar história, tradição, artesanato, culinária típica e um importante centro de abastecimento.
DEVOÇÃO - A Colina de Santo Antônio, primeiro aglomerado urbano da cidade, é outro destino certo para os turistas. No local, a atração principal é a bela vista da cidade e sua importância histórica: em 1855 foi realizada a reunião da Assembléia Provincial que definiu a transferência da capital de São Cristóvão para Aracaju.
A transferência se deu porque São Cristovão não possuía condições administrativas para abrigar a capital do Estado. Na época, na colina só havia algumas casas de pescadores e uma capela de taipa dedicada a Santo Antônio, que alguns anos depois foi substituída pela atual igreja. Hoje localizada no ponto mais alto, a Igreja de Santo Antônio possui uma arquitetura simples, sem muito luxo e uma vista panorâmica de toda a capital sergipana, do Rio Sergipe e da Ilha de Santa Luzia.
No dia 13 de junho, toda a rendondeza do local é tomada pelo povo para homenagear o santo casamenteiro. Quem visita o local pela primeira vez pode fazer um pedido e dar três voltas ao redor da igreja. E os fiéis garantem: as graças serão alcançadas.
A construção da nova capital, na ocasião, foi um desafio à engenharia, já que toda área era coberta por pântanos e charcos. O desenho urbano de Aracaju foi elaborado por uma comissão de engenheiros, tendo como responsável Sebastião Basílio Pirro. Naquela época, as cidades adaptavam-se às condições topográficas naturais, mesmo que isso gerasse irregularidades no panorama urbano. No entanto, o engenheiro Pirro se contrapôs a essa tendência e Aracaju foi uma das primeiras cidades no Brasil a ser planejada.
O centro do poder político-administrativo - atual Praça Fausto Cardoso- foi o ponto de partida para o crescimento da cidade. Todas as ruas foram arrumadas geometricamente, como um tabuleiro de xadrez, para que estivessem direcionadas às margens do Rio Sergipe. (L.T.)