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FESTIVAL DE PERCUSSÃO
PercPan tem tudo a ver com o Recife

Idealizador e mestre de cerimônia, Gilberto Gil diz que a cidade-xodó é uma das mais apropriadas para um festival como o Panorama Percussivo Mundial

por JOSÉ TELES

O Panorama Percussivo Mundial (PercPan), que começa amanhã, pode acontecer no Recife ano que vem. Quem acena para essa hipótese é o diretor artístico do maior festival de percussão do País, Gilberto Gil: “Caso seja bem-sucedido, abre-se uma porta para que se realize novamente no Recife. Tomara que haja uma boa performance durante os três dias, do ponto de vista dos artistas, dos serviços técnicos, do público”. Gilberto Gil conversou com o Jornal do Commercio, por telefone, de Kingston, Jamaica, onde estava gravando as músicas do seu tributo a Bob Marley, com Rita Marley, e as I-Three, trio que fazia os vocais de apoio para o superastro do reggae.

Gil ratificou que o PercPan veio para Pernambuco porque foi aqui que se conseguiu os recursos para viabilizar a realização do evento: “Tivemos algumas datas marcadas e depois adiadas, e surpreendentemente o festival acabou indo para o Recife, por ter encontrado receptividade na área governamental. E isso termina sendo uma coisa boa, porque o Recife é uma das cidades mais apropriadas para um festival assim. Vai acontecer num cenário muito belo, eu tenho um xodó pelo Recife, que conheci em 1965, quando estava lançando meu primeiro LP”.

Inevitável a pergunta sobre a ausência do percussionista Naná Vasconcelos, que até o ano passado foi co-responsável pela direção artística do PercPan: “O que aconteceu com Naná foi um desses caprichos engraçados do destino, o festival acontecer no Recife, no ano em que ele desistiu de fazer. E ele desistiu há uns três meses, quando estávamos fechando os preparativos para Salvador. E logo em seguida aconteceu essa vinda para Pernambuco. Que coincidência atravessada, pois alguns artistas convidados para o PercPan ainda foram indicações dele, a exemplo de senegalês Soriba Kouyaté velho conhecido do Naná”.

Gilberto Gil adiantou que o festival manterá o mesmo formato: “A diferença para o que acontecia em Salvador é que ele será realizado inteiramente em espaço aberto. No mais eu continuo com as mesmas funções. Faço as passagens entre um e outro músico, agora com Marcos Suzano, que convidei, não para substituir Naná, mas para colaborar nesse trabalho”. A novidade nesse oitavo PercPan pode ser uma vinheta composta especialmente para a versão pernambucana do evento. “Talvez um frevo”, diz o baiano.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira