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SEQÜESTRO
Alvo agora é comparsa de Jones

Polícia procura Rosembergue Silva, braço direito do seqüestrador e apontado como responsável por planejar investida contra Camila

por RICARDO NOVELINO, ROBERTA SOARES E RODRIGO CARVALHO

Após a prisão de John Caetano Rodrigues, o Jones, 22 anos, e de outros quatro integrantes da quadrilha, a Polícia Civil fecha o cerco, agora, para tentar capturar Rosembergue Ramos da Silva, o Bergue, 29, braço direito do seqüestrador e um dos líderes do grupo que ainda está foragido. De posse de quatro mandados de prisão contra Bergue, os policiais deflagrarão uma campanha para encontrar o assaltante e seqüestrador, apontado como um dos responsáveis pelo planejamento e execução da ação contra Camila Batista, 13 anos, a última vítima do bando.

A filha dos donos da Comercial Batista passou sete dias em poder dos seqüestradores e foi libertada no fim da noite de domingo, após a prisão de Jones.

A participação de Bergue foi confirmada, ontem, por Fábio Luís Leite da Silva, o Matuto, 27, um dos presos, durante perícia realizada no cativeiro usado pelos bandidos, localizado num sítio da comunidade Esperança, no Cabo de Santo Agostinho, no sul do Grande Recife. Com apoio de dez agentes e dois peritos criminais, o delegado do Grupo de Operações Especiais (GOE), Aníbal Moura, vistoriou as duas casas, que ficam nas proximidades do Loteamento Cidade Garapu. Além de Fábio, João Manoel de Freitas, 29, outro acusado preso, participou da ação.

Segundo o delegado, os policiais procuraram provas para o inquérito e definiram a participação de cada integrante do grupo de Jones no seqüestro. Bergue, afirmou Moura, é o principal parceiro de Jones e esteve envolvido efetivamente na ação. “Ele foi três vezes ao cativeiro e arrastou a menina de dentro de casa até o local”.

Na perícia, Fábio, dono da casa onde Camila ficou durante o seqüestro, contou detalhes da participação de Jones e Bergue na ação. “Quando eu cheguei aqui, um dia depois da ação, Bergue estava com a menina. Já a pistola 45 do Exército é de Jones”, contou. Ele confirmou, ainda, que os dois líderes do grupo pensaram em cortar o dedo de Camila, caso a família negasse o pagamento dos R$ 500 mil de resgate solicitados. “Eu vi Bergue e Jones comentando isso e Camila ficou com muito medo”, informou. Fábio assegurou, no entanto, que impediria a mutilação. “Eu dei um colar para ela, um ratinho de pelúcia e me apeguei muito. Ela me chamava de tio. Nunca deixaria ninguém bater em Camila”, declarou.

Os peritos encontraram objetos que poderão ser usados como provas materiais, como um capuz preto semelhante ao dos policiais do GOE, usado por Jones para falar com a garota. As iniciais JC – John Caetano – bordadas na peça revelam traços da ousadia do seqüestrador. “É a grife do bandido”, disse Aníbal Moura. A polícia também achou um uniforme de vendedor da Gás Butano, utilizado por Jones como disfarce, uma foice e dois facões. Os policiais reviraram roupas e abriram a tampa de um aparelho de TV para procurar armas.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira