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IML II
Revoltados, parentes criticam a demora na liberação de corpos

Pouco mais de um mês após o início da Operação Padrão, desencadeada pelos médicos-legistas em favor de melhores condições de trabalho e salário, os parentes dos mortos acusam o Instituto de Medicina Legal (IML) de continuar lento na liberação dos corpos. Ontem à tarde, várias pessoas esperavam ansiosas pelas necropsias.

“Desde ontem (segunda-feira) que eu estou aqui para tentar retirar o corpo de meu filho, Diógenes Gomes da Silva, mas ainda não consegui nada. Já tive até de cancelar o enterro por causa disso. Além da dor da perda, a gente ainda tem de passar por essa humilhação”, dispara Eliane Leôncio da Silva. Assassinado em Peixinhos, Diógenes deu entrada no IML no último domingo. Seu corpo, no entanto, só foi liberado por volta das 17h de ontem.

A situação de Iranilda Silva de Melo também é dramática. Seu sobrinho, Moisés Fernando, de 22 anos, também morreu no último domingo após bater com a cabeça nas pedras durante um mergulho na represa da Empresa Poty, na Praia de Maria Farinha. Ontem, os funcionários lhe informaram que ela só deveria voltar amanhã ao IML para resgatar o corpo. “Só Deus sabe o que estou passando aqui. É uma desgraça”, critica.

O presidente da Apemol, Rail ton Bezerra de Melo, explica que a lentidão nas necropsias não se deve à Operação Legal, e sim ao grande número de corpos que deram entrada no feriadão. Da última quinta-feira até o domingo, foram cerca de 65 mortos. “Por dia, estamos liberando em torno de 20 corpos. O problema é que o movimento aumentou e não tivemos condições de dar vencimento à demanda”, justifica Alberes de Oliveira, diretor do IML.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira