LG_jc.gif (3670 bytes)

SEQÜESTRO II
Garota escreveu mensagens de conforto para a família

Polícia encontrou anotações e desenhos feitos por Camila Batista num pedaço de papelão durante os sete dias que passou no cativeiro

Durante os sete dias em que ficou presa nos 25 metros quadrados do cativeiro, localizado na Comunidade Esperança, no Cabo de Santo Agostinho, Camila Batista, 13 anos, dividia o tempo assistindo a programas na televisão e escrevendo um diário improvisado. Ontem, durante a perícia na casa, os agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) encontraram no lixo, no quintal da residência, um pedaço de papelão usado como rascunho pela menina. Entre desenhos de flores e árvores, a vítima relatou, nos dois lados do papelão arrancado de uma caixa, a angústia do cárcere e anotou mensagens de fé na libertação e de conforto aos pais, à irmã, Amanda, que também foi seqüestrada e libertada minutos depois, e ao primo Erick, que mora com a família.

O medo de morrer e a saudade da família preencheram grande parte dos escritos. A vítima começou a redigir o diário improvisado no dia 12 de novembro, quando chegou ao cativeiro, e deixou de escrever três dias depois, quando ganhou um caderno dos seqüestradores. “Mainha, a senhora sempre disse que saudade mata. E mata mesmo. Mas eu não vou morrer, porque amo vocês muitíssimo”, escreveu. Em outro trecho, Camila Batista rezava para o seqüestro ter um final feliz. “Deus, cuide bem de mim. Estou precisando de ti.” “Deus, me ajude.”

Ela relatou, ainda, a angústia de ficar longe da família. “Hoje é dia 13 e o meu coração fica mais apertado”, escreveu. Ela usou o diário para detalhar os momentos passados com os seqüestradores e sempre ressaltava que estava sendo bem tratada. “Ganhei um colar de um cara, vê que massa. Diga para mainha se acalmar”.

Em outro trecho, ressaltava: “Mainha, não se preocupe, estão me tratando bem”. Os peritos do GOE também encontraram um prato de isopor, onde Camila deixou outro recado rodeado de desenhos de flores: “Esperança. Pai, mãe, Doca, Linho, minha vida”.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira