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CONSCIÊNCIA NEGRA
Discriminação denunciada em passeata

Negros foram às ruas do centro da cidade, ontem, Dia Nacional da Consciência Negra, para pedir igualdade de direitos e de oportunidades e o fim da discriminação racial. A passeata saiu no começo da noite da Câmara Municipal em direção ao Pátio do Carmo, onde foi realizado um ato público.

Durante a caminhada, os participantes cantaram e dançaram ao som dos instrumentos de percussão do Maracatu Encanto da Alegria, do bairro de Água Fria. Também distribuíram panfletos explicando à população o objetivo da marcha.

“Nosso dia-a-dia é marcado pela exclusão, baseada em critérios raciais explícitos ou não, mas sempre presentes, nos negando oportunidades”, dizia um trecho de uma carta entregue a passageiros de ônibus e condutores de automóveis.

Vera Baroni, do Movimento de Negros e Negras de Pernambuco, disse que a maioria das pessoas assassinadas no Recife é negra, do sexo masculino e 16 a 24 anos de idade. “O povo negro é o mais espezinhado neste País”, bradou.

A discriminação à mulher negra também foi lembrada. A Comissão Estadual das Mulheres Trabalhadoras da CUT destacou que no mercado de trabalho as negras são as que mais ocupam a função de doméstica. Elas também são a maioria como operária de baixa qualificação, lavradoras e prostitutas.

O dia de ontem é dedicado à consciência negra por causa de Zumbi dos Palmares, o maior líder negro do Brasil. Ele ajudou a construir um dos maiores focos de resistência à escravatura no Brasil, o Quilombo dos Palmares, em Pernambuco. Foi assassinado no dia 20 de novembro de 1695, seu corpo esquartejado e sua cabeça exposta no Pátio do Carmo, para servir de exemplo a quem se revoltasse contra o sistema.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira