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SEQÜESTRO III
Traumatizada, menina não quer mais morar na casa em Piedade

Embora não tenha apresentado qualquer seqüela dos oito dias em que ficou seqüestrada, desde que voltou para casa, a estudante Camila Batista, 13 anos, tem insistido com os pais, Adeilza e Jair Batista, donos da Comercial Batista, para que a família deixe a casa em que reside, um imóvel que ocupa metade de um quarteirão no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. A estudante diz que não quer mais morar no local, como conseqüência do trauma vivido. Por isso, é provável que em breve a família se mude. A residência recebeu um reforço na segurança desde o primeiro dia do seqüestro.

“Imagine o que tudo isso não representou para essa garota. Num dia, Camila estava ao lado dos pais, as pessoas que na sua cabeça mais podiam lhe oferecer segurança, e, de repente, vê seu pai ser obrigado a descer do carro, enquanto é levada por desconhecidos. Ela perdeu todo o seu referencial e passou a temer tudo”, definiu o bancário Marcos Coimbra, amigo da família que substituiu os pais de Camila na entrevista coletiva marcada para a tarde de ontem.

Adeilza e Jair Batista pretendiam conversar com os jornalistas, mas foram aconselhados pela médica que os acompanha a não passar por novas emoções. Isso porque os dois permaneceram sedados durante todo o seqüestro, para suportar a ausência da filha. “Eles também não querem se expor. Estão com medo, já que muitos dos integrantes da quadrilha de Jones estão foragidos. Da mesma forma, também não querem expor Camila”, afirmou Coimbra.

O bancário, que foi vítima de um seqüestro de um dia há dois anos, disse que a estudante tem aparentado estar tão bem que toda a família está preocupada, temendo que ela tenha alguma reação nos próximos dias. “Uma psicóloga tem acompanhado Camila diariamente. Por enquanto, ela nem demonstra ira nem pena dos seqüestradores. Achamos que é muito nova para ter a dimensão do perigo que passou.” Em um dos muitos telefonemas que fez para a casa, Jones disse que, se a estudante fosse uma pessoa adulta, mandaria um pedaço do seu dedo como prova de que estava viva. O bancário foi quem intermediou toda a negociação e garantiu que a família chegou a conseguir apenas R$ 30 mil, enquanto que os seqüestradores queriam R$ 500 mil.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira