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SEQÜESTRO VI
Temendo morrer, Jones se recusa a depor no HR

O comando da Polícia Civil já está começando a duvidar das denúncias feitas por Jones de que ele teria uma fita cassete contendo o nome de policiais envolvidos com o recebimento de propina para proteger os integrantes de sua quadrilha. Isso porque, logo depois de saber da denúncia, o corregedor auxiliar da Secretaria de Defesa Social, Marcos Mattos, foi ao Hospital da Restauração tentar ouvir Jones, mas ele se recusou a falar.

Segundo Marcos Mattos, o seqüestrador disse que não tinha garantia de vida para fazer as denúncias dentro da unidade hospitalar, pois poderia ser morto pela polícia a qualquer momento. Jones condicionou a divulgação da fita à sua transferência para o Presídio Aníbal Bruno. “Ele disse que somente no presídio teria proteção para fazer todas as denúncias sem medo de ser morto. Chegou a dizer que poderá falar apenas em juízo, o que é um direito seu”, contou o corregedor auxiliar.

O próximo passo, segundo Marcos Mattos, é acompanhar o depoimento que Jones vai dar ao Grupo de Operações Especiais (GOE) e ver se ele divulga algum nome. “Fui nomeado pelo corregedor-geral, Francisco Edilson, exatamente para acompanhar todas as ouvidas de Jones, dos integrantes de sua quadrilha ou de qualquer testemunha ligada a ele, para ver tudo o que é dito contra qualquer policial, seja da Civil ou da PM”, explicou. Feitas as denúncias, os depoimentos são encaminhados ao corregedor-geral, que os distribui aos corregedores auxiliares para que as investigações sejam iniciadas. Se houver provas contundentes, os policiais podem até ser expulsos das corporações.

Jones, entretanto, poderá ser processado por denúncia caluniosa, caso não prove o que diz. “A nossa postura é apurar tudo. Tenha ou não fundamento. Agora, precisamos que ele fale ou que as pessoas que estão sendo vítimas desses supostos policiais nos ajudem, denunciando também. Não adianta Jones ficar citando delegacias onde estariam lotados policiais comprometidos com sua quadrilha. Eu quero nomes porque delegacia é prédio e não responde a sindicância”, afirmou a chefe da Polícia Civil, Olga Câmara.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira