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SEQÜESTRO VII
Jones agora está sendo vigiado por 60 policiais

Pacientes, familiares e funcionários estão apreensivos e trabalhando sob tensão, pois temem um tiroteio entre a polícia e a gangue do seqüestrador

A internação de John Caetano Rodrigues, 22 anos, o Jones, o bandido mais procurado de Pernambuco, obrigou a polícia a redobrar os cuidados com a segurança do maior hospital público do Estado. Por medida de precaução, o policiamento no Hospital da Restauração (HR) foi triplicado em relação ao efetivo montado no dia da chegada do seqüestrador. Desde ontem, o HR está sendo vigiado, 24 horas por dia, por 60 soldados da PM e agentes da Civil. Pacientes, familiares e funcionários da unidade de saúde estão apreensivos, trabalhando sob tensão, temendo um possível resgate de Jones pelos comparsas. A vigilância interna também redobrou os cuidados.

No início da tarde de ontem, o diretor de Operações da Polícia Civil, Evaristo Ferreira Neto, acompanhado dos delegados Roberto Geraldo, Djalma Raposo e Nilson Mota, estiveram na Restauração para posicionar o efetivo em lugares estratégicos do hospital. “A possibilidade de ele ser resgatado é quase zero”, afirmou o delegado Roberto Geraldo, do Núcleo Especializado na Apuração de Homicídios Múltiplos (NEAHM). Segundo ele, outras medidas de segurança estão sendo tomadas. “A enfermaria que fica ao lado do quarto onde Jones está internado foi evacuada e as visitas no sétimo andar estão suspensas”.

Mesmo com todo o aparato policial dentro e fora do prédio, funcionários e pacientes estão assustados. De acordo com a auxiliar de serviços gerais do hospital Maria Célia Martins, 34, as pessoas que circulam pelo andar onde Jones está hospitalizado estão receosas. “Alguns pedem até a transferência dele”, revelou. A assessoria de imprensa do HR informou que desconhece a solicitação. “Estamos trabalhando sob tensão”, comentou uma auxiliar de enfermagem, que preferiu não se identificar.

No sétimo andar, John Caetano está internado com mais oitenta pessoas. A preocupação atinge também os familiares dos pacientes. “Tenho medo que meu filho leve um tiro se houver confronto entre a polícia e os bandidos”, confessou a dona de casa Ernestina Fernandes Nunes, 79, mãe do despachante Weser Ferreira Nunes, 59, internado no mesmo andar que o seqüestrador. No início da tarde, ela não tinha certeza se poderia visitar o filho. “Quero dar um beijo nele, mas não sei se conseguirei”, disse desconsolada.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira