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PALEONTOLOGIA
Encontrado o mais antigo âmbar

Descoberta foi feita no Piauí por pesquisadores da UFPE e da UFRJ. A resina vegetal fossilizada estava na superfície de uma rocha e tem cerca de 380 milhões de anos

por VERÔNICA FALCÃO

A mais antiga resina vegetal fossilizada foi encontrada no Piauí por pesquisadores das Universidades Federais de Pernambuco (UFPE) e do Rio de Janeiro (UFRJ). O âmbar, com apenas um centímetro de diâmetro, estava na superfície de uma rocha na zona rural de Pimenteiras, a 20 quilômetros de Teresina, e tem aproximadamente 380 milhões de anos. A descoberta ocorreu em maio, mas só agora será revelada à comunidade científica, durante o 19º Simpósio de Geologia do Nordeste, de 26 a 28 de novembro, em Natal (RN).

A equipe determinou a idade da peça por meio de um método chamado de datação relativa pelos paleontólogos. A técnica, empregada para evitar a destruição do achado, consiste em datá-lo com base na idade da rocha ou de fósseis encontrados na mesma camada geológica. No caso do âmbar de Pimenteiras, os pesquisadores se basearam em moluscos marinhos datados anteriormente. Os fósseis estavam na rocha arenítica da formação geológica chamada de Cabeças, do Período Devoniano da Era Paleozóica.

Embora a datação absoluta não tenha sido realizada, o âmbar está sendo submetido a análises químicas na UFRJ. A paleontóloga da UFPE Somália Viana revela que, na hora de remover o fóssil vegetal da rocha, ela coletou os fragmentos dos achados que se soltaram com o impacto do martelo geológico. O resultado dos estudos dessas amostras, que deverá estar pronto até o fim do ano, vai ajudar a descobrir a qual espécie vegetal a resina pertence.

A informação será fundamental para elucidar um enigma científico gerado com a idade do âmbar. É que, há 380 milhões de anos, ainda não existiam as plantas que produziam resinas. “Ou os vegetais do Devoniano já produziam resina, ou as plantas lenhosas às quais se atribui o âmbar já existiam nesse período”, explica.

Segundo a paleontóloga, as lenhosas começaram a existir 30 milhões de anos depois, no Período Carbonífero, também da Era Paleozóica, e eram conhecidas como gimnospermas (plantas sem flores, como os pinheiros). No Devoniano existiam vegetais teoricamente sem lenho, como as lycopsidas, pteropsidas e sphenopsidas.

Somália também depende do resultado das análises que estão sendo feitas no Rio de Janeiro para publicar a descoberta numa revista científica de circulação internacional, como a americana Science ou a britânica Nature. “O achado é tão importante que pode mudar os conceitos da paleobotânica.”

A tonalidade do âmbar de Pimenteiras é tão escura que chega a parecer marrom. Segundo Somália, quanto mais escura mais antiga é a resina vegetal. A peça atualmente está sendo estuda por pesquisadores da UFRJ, mas em breve será incorporada ao acervo do Departamento de Geologia da UFPE.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.2001
Domingo